A ditadura do Xá Reza Pahlevi organizou um Estado policial para garantir o controle imperialista sobre o Irã. O instrumento central desse controle tinha um nome: SAVAK, sigla em persa para Birô de Inteligência e Segurança do Estado. Criada em 1957 com apoio total da CIA, a SAVAK se tornaria uma das polícias secretas mais violentas da história.
O PCO realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A História do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Universidade Marxista. A ditadura do Xá e o aparato de repressão que sustentou o imperialismo no Irã por 26 anos são parte central do que o curso vai abordar.
A SAVAK cresceu para cerca de cinco mil agentes e um número desconhecido de informantes. Estimava-se que um em cada 450 homens era informante. Com esse alcance, a organização vigiava todos os iranianos, incluindo oficiais de alto escalão do próprio governo, censurava a imprensa, avaliava candidatos a empregos governamentais e nomeações universitárias. Intelectuais não podiam sequer mencionar o nome de Marx, que tinha de ser referido como “um filósofo social europeu do século XIX”.
O punho de ferro do Xá
A SAVAK usava todos os meios disponíveis, incluindo tortura e execuções sumárias, para lidar com dissidentes políticos. Seu diretor se encontrava privadamente com o Xá todas as manhãs. A Anistia Internacional estimava cerca de 20 mil presos políticos. A organização monitorava cada estudante iraniano no exterior e operava serviços de coleta de informações políticas em todas as províncias. Pessoas desapareciam no Irã, e seus desaparecimentos simplesmente não eram registrados.
O alcance era total. Havia agentes da SAVAK no saguão de todos os hotéis, em todos os departamentos do governo, em todas as salas de aula universitárias. Os iranianos educados não podiam confiar em ninguém além de um círculo íntimo de amigos. O resultado era um ambiente de terror permanente que atingia toda a vida social do País.
Khamenei descreve a tortura
Entre os torturados pela SAVAK durante a ditadura estava Ali Khamenei, assassinado pelos EUA e “Israel” em 28 de fevereiro de 2026. Ele foi preso cinco vezes durante o regime do Xá e descreveu sua experiência no livro Cela nº 14.
Sua primeira prisão, em 1967, ocorreu ainda em um período em que a ditadura reprimia com menos violência. Na segunda vez, em 1971, o tratamento foi completamente diferente. “Me dei conta que era um leito de tortura. Eles então me seguraram, amarraram a minha perna na cama”, relata Khamenei. Os torturadores se revezavam para que cada um pudesse descansar enquanto as sessões de espancamento continuavam sem interrupção. “Não me deixaram descansar nem um pouco”, escreveu. “Não posso falar sobre todos os detalhes da tortura, pois são grandes demais para serem absorvidos por uma declaração”.
O endurecimento da repressão ao longo do tempo é revelador. Na primeira prisão, a ditadura ainda permitia leitura, escrita, rádio e contato entre os presos. Conforme a oposição cresceu nos anos 1970, a violência aumentou na mesma proporção. As estimativas de torturados e presos políticos chegavam a dezenas de milhares.
A serviço do imperialismo
Todo esse aparato de repressão tinha uma função: garantir que o petróleo iraniano continuasse nas mãos dos ingleses e dos norte-americanos e que a população recém-chegada do campo às cidades não se organizasse contra o saque imperialista.
O terror da SAVAK não impediu a organização da oposição, acelerou-a. Cada onda de prisões e torturas empurrava mais iranianos para a resistência. Quando os efeitos da crise do capitalismo de 1974 chegaram ao Irã e as condições de vida nas cidades pioraram, a explosão social era apenas uma questão de tempo.
O curso A História do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.



