Nordeste

CPT denuncia agressão de dois sem terra na Bahia

Duas vítimas foram atacadas por homens fortemente armados, que invadiram o local, incendiaram a residência e fizeram ameaças com armas apontadas.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou a violência no campo e repudiou um grave atentado na Serra de Chapadinha, em Itaetê, na Chapada Diamantina, na quinta-feira (30). Duas vítimas foram atacadas por homens fortemente armados, que invadiram o local, incendiaram a residência e fizeram ameaças com armas apontadas. 

O ataque, ocorrido durante a madrugada, destruiu equipamentos essenciais, entre eles sistemas de energia solar, baterias e meios de comunicação. A agressão não foi apenas contra uma casa ou contra bens materiais: foi uma tentativa de intimidar pessoas que atuam em uma região marcada por conflitos fundiários, grilagem e pressão de interesses minerários. 

A CPT afirmou solidariedade às vítimas e às lideranças que atuam na região, lembrando que aquele território aparece de forma recorrente nas estatísticas de violência no campo. A comissão também cobrou por uma investigação rigorosa e rápida, com identificação e responsabilização dos envolvidos.

Relatos de organizações que atuam no campo identificam as vítimas como Marcos e Alcione, descritos como guardiões da Serra da Chapadinha e ligados ao Posto Avançado da Toca do Lobo, reconhecido por sua atuação em defesa da Mata Atlântica. Segundo esses relatos, homens armados invadiram o posto, atearam fogo à residência e mantiveram as vítimas sob ameaça direta.

O atentado em Itaetê se soma a uma longa história de violência contra quem enfrenta a grilagem e a especulação financeira. A destruição de equipamentos de comunicação e energia indica tentativa de isolar as vítimas e dificultar a continuidade do trabalho desenvolvido no local. A apuração não pode se limitar aos executores: precisa chegar a quem se beneficia do terror no campo. 

Os crimes no campo, quando não enfrentados, funcionam como aviso a outras comunidades: quem defende terra, água e floresta pode ser atacado sem proteção efetiva. A ausência de resposta do poder público alimenta novos ataques e empurra famílias, posseiros, ambientalistas e trabalhadores rurais para uma situação permanente de medo.

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