A discussão sobre para quem torcer esconde, segundo Rui Costa Pimenta, o principal fato da Copa do Mundo de 2026: a competição foi armada para favorecer a Argentina. No programa Análise Política da Semana deste sábado (18), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência afirmou que o debate entre torcer pela seleção argentina por ela ser latino-americana ou rejeitá-la em razão do apoio do sionismo desvia a atenção do problema decisivo.
Pimenta classificou como um “show de horrores” a discussão iniciada após a eliminação do Brasil. Para ele, cada torcedor pode escolher livremente a equipe que deseja apoiar. O erro começa quando uma preferência individual é apresentada como posição política obrigatória e, principalmente, quando ela serve para encobrir o favorecimento da Argentina ao longo da competição.
“Você pode torcer para quem quiser, porque não faz grande diferença. Pode torcer pelos mais diversos motivos. O problema aqui é estabelecer qual é a relação que existe, e que deveria existir, entre o futebol e a política. Algumas pessoas falam que têm de torcer pela Argentina porque a Argentina é latino-americana. Outros falam que os argentinos são racistas. Outros dizem que isso é mentira. Começa uma discussão sem pé nem cabeça”, afirmou.
‘Fraude colossal’
O dirigente do PCO destacou que a política pode aparecer em uma partida por circunstâncias externas ao esporte. Um jogo entre Irã e Estados Unidos, durante a agressão norte-americana contra o país persa, despertaria naturalmente a solidariedade dos povos oprimidos com os iranianos. Isso, no entanto, continuaria sendo um elemento secundário do ponto de vista esportivo.
Na Copa de 2026, explicou Pimenta, a questão política está dentro da própria competição: a interferência de forças econômicas e políticas para determinar o resultado e transformar a Argentina em instrumento desse esquema.
“O primeiro problema que nós temos de avaliar é o próprio esporte. É isso que a maior parte da esquerda, tanto de um lado como do outro, não captou nesta Copa. O que está acontecendo? Já não somos apenas nós que estamos dizendo. Há um clamor mundial: a Copa foi armada para favorecer a Argentina. Há uma fraude em andamento contra a Copa do Mundo. A primeira discussão deveria ser essa. Você tem um esquema mafioso que procura controlar a Copa, e isso é uma liquidação do próprio esporte, do próprio futebol. O grande problema é que estamos diante de uma fraude colossal contra a Copa do Mundo, um atentado contra o futebol”, disse.
Segundo ele, a FIFA, o poder econômico e os governos que exercem influência sobre o futebol participam de uma engrenagem que frustra deliberadamente a expectativa de bilhões de pessoas. A Argentina ser apoiada pelo governo sionista ou ser apresentada como representante da América Latina não resolve a questão.
Pimenta lembrou que Netaniahu e ministros do governo sionista declararam apoio à seleção argentina, mas ressaltou que isso não transforma o povo argentino em sionista. Da mesma forma, a localização do país na América Latina não torna sua seleção uma força anti-imperialista.
“É uma falsificação da realidade por um esquema mafioso, que envolve os aparatos futebolísticos, como a FIFA, o poder político e o poder econômico. Decidiram fraudar a expectativa de bilhões de pessoas que acompanham a Copa do Mundo. Esse é o problema político. Dizer que o sionismo apoia a Argentina, embora seja verdade, é uma coisa exterior. Dizer que os argentinos são latino-americanos também é exterior. A opressão mundial aparece no fato de que esse poder político constituiu uma engrenagem para fraudar a Copa. É isso que precisa ser combatido e denunciado”, afirmou.
Para o presidente do PCO e pré-candidato, apoiar a Argentina em nome da solidariedade latino-americana acaba produzindo uma contradição: sob o argumento de enfrentar o imperialismo, parte da esquerda passa a apoiar justamente a seleção convertida no principal instrumento do imperialismo dentro da Copa.
A campanha contra o futebol brasileiro
Pimenta situou a fraude de 2026 em uma disputa mais ampla. O futebol europeu, apoiado por empresas muito mais ricas e por organismos internacionais, procura há décadas diminuir o futebol brasileiro. Trata-se de empregar recursos externos ao campo para sufocar um adversário que não foi superado esportivamente.
O dirigente criticou ainda o preconceito histórico de uma parcela da esquerda contra os jogadores brasileiros. Como muitos atletas não apresentam as opiniões políticas desejadas pela pequena burguesia, passam a ser julgados não por sua capacidade dentro de campo, mas por declarações, preferências eleitorais e aspectos de sua vida pessoal.
“Nós tivemos, durante toda a história do futebol, uma verdadeira guerra entre o futebol brasileiro e o futebol europeu. O futebol europeu, mais rico e mais poderoso, sempre procurou sufocar o futebol brasileiro. Esse é um problema político que diz respeito diretamente ao futebol. A tentativa de sufocar o adversário por meios externos ao esporte é uma manipulação do futebol. Ao mesmo tempo, a esquerda tem um preconceito histórico contra o futebol brasileiro. Ela olha os atletas e não vê pessoas que farão uma boa propaganda política. Mas a função do jogador não é fazer propaganda de esquerda nem de direita. É jogar futebol e defender o futebol brasileiro”, declarou.
O maior exemplo desse tratamento, segundo Pimenta, foi Pelé. O melhor jogador de todos os tempos foi submetido durante décadas a ataques por não corresponder ao modelo político e comportamental exigido por setores da imprensa e da esquerda. Suas declarações erradas foram usadas para diminuir sua realização esportiva e sua importância para o País.
Esse terreno facilitou, segundo o dirigente, a campanha do futebol italiano para apresentar Diego Maradona, então jogador do Napoli, como superior a Pelé. Mais tarde, as grandes empresas do futebol repetiram a operação com Lionel Messi, um atleta formado e consagrado na Europa. Para Pimenta, a escolha de um argentino atende ao objetivo de fabricar um rival para o Brasil sem produzir uma nova exaltação do futebol brasileiro.
“A campanha de que Maradona era melhor do que Pelé foi uma operação do futebol italiano. Maradona era jogador do Napoli, e fizeram uma campanha enorme em favor dele. No Brasil, essa campanha não foi combatida. Quando se faz campanha contra o futebol brasileiro, contra os jogadores brasileiros e contra Pelé, e se faz campanha a favor do futebol argentino, realiza-se um trabalho de desmoralização do povo brasileiro e do amor próprio nacional. É uma política nitidamente pró-imperialista. O brasileiro já perdeu empresas estatais, direitos trabalhistas e está sendo levado à miséria. Depois querem arrancar dele a última coisa que possui, que é o orgulho do futebol brasileiro”, afirmou.
Pimenta destacou que o futebol é uma realização nacional, independentemente das posições políticas particulares dos jogadores. A Copa de 1958 permanece como patrimônio do povo brasileiro, embora quase ninguém saiba quais eram as opiniões políticas dos atletas ou do treinador. O mesmo vale para 1970: o título não perde importância porque parte dos jogadores apoiava a ditadura militar.
“O futebol brasileiro precede Lula e Bolsonaro e vai existir muito tempo depois dos dois. O que ficou de 1958 foi que o Brasil ganhou a Copa do Mundo na Suécia. Quais eram as posições políticas dos jogadores? Isso não tem importância. O fato de terem levado pouco mais de 20 jogadores e conquistado a Copa é um patrimônio nacional. Em 1970, o Brasil tornou-se o primeiro tricampeão mundial. É uma enorme conquista esportiva. O problema político da época não diminui isso”, explicou.
Os títulos da Argentina
Ao comparar os dois países, Rui Costa Pimenta rejeitou a existência de uma equivalência esportiva entre Brasil e Argentina. O Brasil conquistou sua primeira Copa em 1958, repetiu o feito em 1962 e tornou-se tricampeão em 1970. Até então, a Argentina não possuía nenhum título mundial.
O primeiro campeonato argentino veio em 1978, durante a ditadura militar. Pimenta lembrou o encerramento da partida entre Brasil e Suécia no instante em que a bola brasileira entrava no gol e o 6 a 0 da Argentina sobre o Peru, resultado que eliminou a Seleção Brasileira pelo saldo de gols.
“Em 1978, quando o Brasil poderia ter sido campeão, a ditadura militar comprou a Copa para a Argentina. Aconteceram coisas em que você tem dificuldade de acreditar mesmo vendo as imagens. O juiz encerrou o jogo do Brasil quando a bola estava entrando no gol. Isso não é um erro de arbitragem, é uma coisa criminosa. Depois veio o 6 a 0 sobre o Peru, com jogadores comprados para entregar a partida à Argentina. Aquilo foi feito para levantar o moral de uma das ditaduras mais criminosas que já existiram. Todas as três Copas da Argentina foram conquistadas na fraude. Não se trata de um erro isolado de arbitragem, mas de um esquema”, afirmou.
A campanha em favor de Messi completou, na avaliação de Pimenta, a fabricação de uma potência que nunca teve uma história comparável à brasileira. Ele apontou a diferença entre um equívoco eventual de um árbitro e a repetição sistemática de decisões, punições omitidas e privilégios que conduzem uma seleção ao título.
Violência protegida pela arbitragem
A semifinal contra a Inglaterra foi apresentada no programa como uma demonstração desse mecanismo. Pimenta rejeitou a explicação de que os ingleses perderam apenas porque recuaram e adotaram uma tática defensiva. Para ele, o fator determinante foram as faltas violentas da Argentina, toleradas pelo árbitro.
“O jogo da Argentina foi extremamente bruto contra a Inglaterra. Chega uma hora em que o jogador não aguenta. O juiz não marca nada, e o inglês não pode revidar porque será expulso. Isso não é um problema tático. Se um time tenta jogar no campo do adversário e começa a receber pancada de todos os lados sem que o juiz apite, fica impossível jogar. O fator determinante foram as faltas grotescas cometidas pela Argentina e não marcadas”, disse.
Rui Costa Pimenta afirmou que a violência e a provocação não surgiram nesta Copa. Durante décadas, clubes brasileiros enfrentaram agressões, cusparadas e intimidações nas competições sul-americanas. Em muitos casos, equipes brasileiras evitavam a Libertadores devido à brutalidade das partidas.
Ele recordou ainda a declaração de Maradona sobre o episódio em que jogadores argentinos ofereceram água adulterada ao lateral Branco na Copa de 1990. Para Pimenta, o fato de o antigo craque tratar o episódio como motivo de orgulho revela uma tradição de jogo sujo que hoje é apresentada como “raça” ou espírito competitivo.
“O futebol argentino é violência, jogo sujo e maldade. Na Copa, foi isso que apareceu nos jogos da Argentina. Aquela violência não é estranha, é típica. Os jogadores brasileiros podem cometer um lance maldoso, mas isso não caracteriza o futebol brasileiro, que é elegante, artístico e habilidoso. O argentino quer ganhar de qualquer maneira. As faltas cometidas nesta Copa foram grotescas. Contra a Inglaterra, um jogador deu um soco na nuca do adversário, de propósito. Isso não é raça”, afirmou.
Dois pesos para Messi e Neymar
Pimenta criticou a esquerda que apoia Messi apesar das denúncias sobre sua associação com o sionismo, mas rejeita Neymar por suas posições políticas no Brasil. Segundo ele, a diferença não está nos princípios alegados, mas no fato de que Neymar é alvo de uma campanha permanente da imprensa, enquanto Messi recebe proteção.
O presidente do PCO e pré-candidato também comentou a manifestação argentina sobre as ilhas Malvinas. Defendeu o direito dos jogadores de afirmar que as ilhas pertencem à Argentina e condenou a regra da FIFA que proíbe manifestações políticas. Ao mesmo tempo, observou que outras seleções foram punidas por atos semelhantes, enquanto a Argentina foi poupada. Para ele, o episódio constitui mais um privilégio, embora a defesa das Malvinas seja correta.
Em relação às críticas feitas aos gastos de Neymar, Pimenta afirmou que o jogador obteve sua fortuna por meio de seu talento e de seu trabalho. A indignação seletiva contra um atleta, enquanto figuras do Estado acumulam artigos de luxo sem receber o mesmo tratamento, integra a campanha de hostilidade contra o futebol brasileiro.
‘O Brasil produziu os maiores jogadores’
Pimenta também respondeu às declarações de Luiz Inácio Lula da Silva contra os jogadores que não voltaram imediatamente ao Brasil após a eliminação. O presidente da República afirmou que seria necessário “construir um robô” para jogar pela Seleção Brasileira. Para o dirigente do PCO e pré-candidato, a frase foi uma das declarações mais depreciativas já feitas contra o futebol nacional.
“O Brasil é o país que, de longe, produziu os maiores jogadores de futebol do mundo. Se você juntar os grandes jogadores de todos os outros países, não dá o Brasil. A Seleção Brasileira perdeu, mas outras também perderam. O Brasil é a única seleção que esteve em todas as Copas. Seleções extraordinárias perderam, como as de 1950, 1954 e 1982. A seleção de 1982 era melhor do que a que ganhou em 1994. Perder uma partida não apaga a grandeza do futebol brasileiro”, disse.
Ao encerrar o tema, Rui Costa Pimenta afirmou que a principal deficiência atual da Seleção Brasileira não é a falta de jogadores, mas a organização. Para ele, o País continua produzindo atletas de primeira qualidade, mas não lhes oferece preparação coletiva adequada.
“O grande problema da Seleção é a organização. Sempre foi. A Seleção Brasileira, como muita coisa no Brasil, é uma improvisação. Isso dificulta a vida de todo mundo. O time tem bons jogadores, mas futebol não é apenas ter bons jogadores. É preciso entrosamento, jogo de conjunto, esquema tático e liderança”, concluiu.





