Eleições 2026

Contra tudo e contra todos, PCO cresce mais de 60% na eleição para governador

Sem contar São Paulo, votação do Partido para os governos estaduais passou de 14.720 para 23.704 votos, alta de 61,03% em quatro anos

O Partido da Causa Operária cresceu 61,03% na votação para governador entre 2022 e 2026. Sem contar São Paulo nos dois pleitos, o PCO passou de 14.720 para 23.704 votos. Foram 8.984 votos a mais para as candidaturas do Partido aos governos estaduais.

São Paulo ficou fora das duas contas porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não apresenta a votação de Izadora Dias em 2026. Somar os votos paulistas de 2022 sem dispor do número correspondente deste ano produziria uma comparação falsa. Por isso, o cálculo considera apenas as unidades da Federação para as quais há números comparáveis.

O crescimento ocorreu numa campanha de alcance nacional. O PCO apresentou candidatos próprios aos governos de 19 unidades da Federação, 18 estados e o Distrito Federal, o maior número entre todos os partidos. A UP lançou 17 candidaturas; o PSTU, 15; PL e PSD, 13 cada um; e o PT, 12. O Partido não concentrou seus esforços em um ou dois estados: procurou levar seu programa a praticamente todas as regiões do País.

A composição das chapas também mostra que tipo de campanha foi essa. O PCO lançou operários, professores, sindicalistas, trabalhadores da construção civil, pequenos agricultores e militantes dos movimentos populares. Bruno Pedreiro, candidato ao governo de Santa Catarina, apareceu durante a campanha trabalhando numa obra. Jairo Palheta, candidato no Amapá, é agricultor familiar e militante da luta pela terra e pela moradia. São candidatos que vivem do próprio trabalho e não dispõem de fortunas pessoais, grandes empresas ou máquinas eleitorais.

A desigualdade diante dos partidos da burguesia começou pelos recursos. O Fundo Eleitoral de 2026 chegou a quase R$ 5 bilhões, distribuídos de maneira extremamente desigual. Enquanto PL e PT receberam centenas de milhões de reais, o PCO teve direito a uma fração desse montante para sustentar uma campanha nacional com mais de uma centena de candidaturas. Mesmo esse dinheiro demorou a ser liberado pelo TSE.

No começo de setembro, com a campanha já em andamento, Rui Costa Pimenta denunciou que o Fundo Eleitoral do PCO ainda não havia sido repassado. Nunes Marques já havia autorizado a liberação, mas o processo continuava preso à burocracia do tribunal, depois de manifestações contrárias do Ministério Público. O atraso atingiu justamente o período em que o Partido precisava imprimir panfletos, jornais e cartazes, organizar viagens e colocar suas candidaturas nas ruas.

Em eleições anteriores, o PCO também denunciou atrasos na liberação de seus recursos. Para um partido que recebe pouco e depende de atividade militante, perder semanas significa perder uma parcela importante do tempo necessário para tornar os candidatos conhecidos. Os grandes partidos compensam isso com televisão, publicidade e estruturas profissionais. O PCO não possui nada semelhante.

Também houve bloqueio nos debates, entrevistas e pesquisas. Os principais meios de comunicação utilizaram as regras eleitorais para deixar de fora candidatos de partidos sem representação parlamentar. O mecanismo favorece quem já está instalado no Congresso: esses partidos recebem mais dinheiro, aparecem mais na televisão e participam dos principais debates; quem está fora recebe menos recursos e menos exposição, justamente os meios necessários para romper essa barreira.

As pesquisas contribuíram para o mesmo apagamento. Em uma rodada da Quaest para a Presidência e para os governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Pará, os nomes dos candidatos do PCO não foram apresentados aos entrevistados nos estados em que o Partido disputava o governo. Rui Costa Pimenta também ficou fora do cenário presidencial. Em pesquisa estimulada, na qual o entrevistador oferece os nomes ao eleitor, retirar um candidato da relação significa impedir que ele apareça naquele levantamento.

A imprensa comercial ainda procurou apresentar as candidaturas do Partido de maneira negativa. Depois de um debate na Faculdade de Saúde Pública da USP, a Folha de S.Paulo publicou que Izadora Dias havia “causado tumulto”. O próprio relato mostrava que estudantes interromperam a atividade depois de uma resposta da candidata sobre o sistema prisional. Mesmo assim, a responsabilidade pela confusão foi colocada sobre a candidata do PCO.

A sabotagem veio também de setores da própria esquerda. Bruno Pedreiro denunciou ter sido deixado de fora de um debate promovido pelo DCE da Universidade Federal de Santa Catarina e afirmou que só soube da atividade porque um estudante lhe enviou a divulgação. Na Universidade de Brasília, Expedito Mendonça enfrentou vaias, xingamentos e interrupções. Na USP, Izadora Dias foi atacada depois de expor sua posição. Em vez de garantir espaço para um partido operário apresentar seu programa, setores da esquerda colaboraram com o isolamento produzido pelos grandes meios de comunicação.

A resposta do PCO foi fazer campanha nas ruas. Militantes percorreram bairros populares, universidades, portas de fábrica, estações, terminais e centros comerciais. Foram distribuídos milhões de panfletos, folhetos e jornais. Rui Costa Pimenta afirmou durante a campanha que o plano nacional era chegar a cerca de 10 milhões de panfletos distribuídos.

No dia 27 de setembro, mais de 2 mil pessoas participaram do ato nacional do PCO em São Paulo, com delegações de vários estados. Operários, jovens, índios, trabalhadores e militantes populares saíram da Praça Oswaldo Cruz e marcharam até o Bixiga. Para um partido sem bancada parlamentar, sem grandes financiadores e submetido a uma campanha permanente de perseguição, reunir milhares de pessoas numa manifestação nacional mostrou a força do trabalho realizado durante a eleição.

O PCO não conquistou governos nem mandatos parlamentares. Mas um partido revolucionário não entra na eleição apenas para somar cargos. A campanha serve para levar seu programa a milhões de pessoas, recrutar novos militantes, organizar trabalhadores e acumular forças para a luta política fora das urnas.

Rui Costa Pimenta resumiu essa orientação durante a campanha: para o PCO, o problema principal não era quantos votos o Partido conseguiria, pois o resultado depende de uma série de fatores que não controla, mas até onde seria possível levar sua política. A votação é uma medida parcial desse trabalho.

Mesmo com poucos recursos, exclusão de pesquisas e debates, hostilidade da imprensa, ataques de setores da esquerda ligados à pequena burguesia e um sistema eleitoral montado para favorecer os partidos da burguesia, o PCO aumentou em 61,03% sua votação para governador nas unidades que podem ser comparadas com 2022.

Os 23.704 votos representam apenas uma parte do que ficou da campanha. O Partido alcançou milhões de pessoas, estabeleceu novos contatos, aproximou apoiadores, fortaleceu núcleos e levou seu programa diretamente aos trabalhadores. É esse trabalho que deverá servir agora para incorporar novos militantes e ampliar a organização do Partido pelo País.

O PCO saiu das eleições sem mandatos, mas maior do que entrou. Para um partido revolucionário de vanguarda submetido a perseguições, falta de recursos e bloqueio político, o crescimento eleitoral é um resultado importante porque amplia as condições para aquilo que constitui seu objetivo fundamental: organizar cada vez mais trabalhadores para a luta revolucionária, por um governo operário, pela revolução e pelo comunismo.

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