A 30ª edição da Parada LGBT de São Paulo mostrou, de maneira clara, a dependência do movimento identitário em relação ao dinheiro de empresas, Organizações Não Governamentais (ONGs) e aparelhos políticos. Sem a mesma quantidade de patrocinadores dos anos anteriores, o evento encolheu em estrutura, perdeu público e teve impacto econômico menor na capital paulista.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common, a Parada reuniu 36,8 mil pessoas na Avenida Paulista no horário de pico. O número é bem inferior ao registrado nos dois anos anteriores: 73,6 mil em 2024 e 48,7 mil em 2025.
A queda de público acompanha diretamente a queda no patrocínio. Em 2026, o evento teve apenas quatro marcas patrocinadoras, contra 11 no ano anterior. A estrutura também diminuiu: foram 14 trios elétricos, contra 20 em 2025.
O caso revela algo importante. Quando se corta a verba, o chamado “movimento” encolhe imediatamente. Não se trata de uma mobilização popular espontânea, organizada pela base, mas de um grande evento dependente de patrocínio empresarial, estrutura de ONGs, artistas pagos, marketing e apoio institucional.
A Associação Comercial de São Paulo estimou que a Parada deve movimentar R$466,2 milhões na economia da capital, R$82,3 milhões a menos que no ano passado. A queda é de 15% em relação a 2025, quando o evento teria movimentado cerca de R$548,5 milhões.
Ou seja, até nos números divulgados pela própria imprensa burguesa fica evidente que a Parada se tornou uma engrenagem comercial. Bares, hotéis, bancos, cartões, aplicativos, empresas de bebida, turismo e publicidade são apresentados como os grandes interessados. Quando esses setores retiram parte da “boquinha”, a suposta grande mobilização social perde força.
O fenômeno não ficou restrito à Parada. A Marcha do Orgulho Trans de São Paulo, realizada desde 2018 no Largo do Arouche, simplesmente não aconteceu em 2026. O Instituto SSEX BBOX deixou a organização do evento e informou que outros grupos poderão assumir a atividade nos próximos anos.
O próprio fundador do instituto, Lyon Adryan Ror, reconheceu que a dificuldade para manter patrocinadores influenciou a decisão. Segundo ele, o “ecossistema de investimento e patrocínio” ligado a iniciativas LGBT mudou nos últimos anos e teve impacto direto sobre organizações e projetos independentes. A Marcha Trans é um exemplo ainda mais claro: sem dinheiro, não houve marcha.
A Parada deste ano teve como tema “A rua convoca, a urna confirma”, uma palavra de ordem eleitoral. O evento foi usado por parlamentares do PSOL e do PT, além de setores ligados ao aparato institucional, para transformar uma manifestação de rua em palanque eleitoral.
Esse é o verdadeiro papel do identitarismo: desviar setores oprimidos da luta geral da classe trabalhadora e colocá-los sob o controle de ONGs, empresas multinacionais e partidos da esquerda pequeno-burguesa. Em vez de lutar por emprego, salário, moradia, saúde e direitos democráticos para todos os trabalhadores, a política identitária fragmenta a população e transforma reivindicações legítimas em mercadoria publicitária.





