Maria da Conceição de Almeida está numa cama do Hospital Regional de Betim desde 18/8, com a bacia fraturada. Tem 48 anos e precisa de uma operação que a unidade não realiza, segundo a família. Em 16/10, quase dois meses após a internação, ainda não havia previsão de transferência.
O hospital pediu uma vaga em outra unidade em 2/9. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais afirma que, desde então, as centrais de regulação procuram um leito compatível. Unidades consultadas em Belo Horizonte e em outras regiões alegaram indisponibilidade, segundo a pasta. A secretaria diz que a paciente está em bom estado geral e recebe acompanhamento clínico, mas não informa quando será operada.
O filho da paciente contou à Rádio Itatiaia o que essa espera significa dentro do hospital: “Ela está acamada, deitada só numa posição. Para tomar banho, para comer, precisa de ajuda. Os médicos falam que está tudo liberado, falta só a cirurgia, mas não dão para a gente uma posição, não dão uma data”. A família afirma que a operação, com colocação de um anel pélvico, permitiria a Maria da Conceição recuperar a mobilidade e iniciar a fisioterapia.
Os parentes aceitariam uma vaga em qualquer hospital capaz de realizar o procedimento. Apontaram quatro unidades em Belo Horizonte: Hospital da Baleia, São Lucas, Hospital das Clínicas e Madre Teresa. Enquanto aguardam a regulação, tentam reunir os orçamentos exigidos para recorrer à Justiça. A busca por documentos virou outra tarefa imposta a quem já acompanha uma paciente internada há semanas.
Quinze dias separaram a internação do pedido de transferência. Depois disso, transcorreram mais de seis semanas sem que as centrais encontrassem vaga, segundo a resposta oficial. O caso reúne uma indicação de cirurgia, um pedido hospitalar registrado e uma família disposta a aceitar qualquer das unidades habilitadas. Falta o leito que o sistema de saúde ainda não conseguiu oferecer.





