Uma matéria publicada pelo Estadão nesta quinta-feira (21) informa que uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema de sonegação e corrupção da Refit detectou pagamento de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo à empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis.
Conforme o texto, o negócio de R$ 14,2 milhões celebrado por uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com uma firma ligada à Refit, de Ricardo Magro, foi assinado pelo irmão do senador que já foi alvo de busca e apreensão por suspeita de operar recebimento de propina do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Procurado pelo jornal, Ciro Nogueira confirmou o pagamento e disse que a transação é referente à venda de um terreno para construção de uma distribuidora de combustíveis, de forma regular e declarada às autoridades. Já a defesa de seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, disse que irá se manifestar sobre o caso.
“Em relação ao caso em questão, esclarecemos que a empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado.” diz trecho da nota do senador Ciro Nogueira.
Ainda segundo o Estadão, o contrato de venda do terreno foi assinado por Raimundo Nogueira, que foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, em 7 de maio, sob suspeita de ser um agente familiar que operava as empresas do senador para recebimento de propina.
Em relação ao Banco Master, a PF suspeita que Daniel Vorcaro teria repassado uma mesada de R$ 300 mil a Ciro Nogueira e que parte dos valores circulava por empresas da família do parlamentar, entre elas a CNLF Empreendimentos Imobiliários.
“Os elementos financeiros analisados demonstram que o investigado figura como administrador formal de pessoa jurídica (CNLF EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA) utilizada como instrumento de veiculação e mesclagem de recursos, a qual apresenta movimentações expressivas desacompanhadas de lastro econômico compatível, indicativas de desvio de finalidade e utilização para fins de ocultação e dissimulação patrimonial”, diz trecho da decisão da Compliance Zero.
Ricardo Magro é um advogado e empresário brasileiro, proprietário do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), atualmente no centro de grandes investigações por crimes fiscais e corrupção. É apontado como o maior devedor de ICMS no estado de São Paulo e um dos maiores do Brasil, com investigações indicando movimentações de até R$ 26 bilhões.
O presidente Lula, também nesta quinta-feira, cobrou ao presidente norte-americano a extradição de Ricardo Magro, e afirmou que foram entregues informações sobre Magro para uma possível operação. “Quer combater o crime organizado? Me entrega logo esse aí, porque nossa Polícia Federal está preparada”, teria dito o presidente Lula.
Os desdobramentos do caso do Banco Master mostram que é ilusão acreditar que exista um verdadeiro combate à corrupção. Escândalos aparecem apenas quando determinados interesses se chocam. A Polícia Federal, que Lula exalta, é apenas uma instituição que ele nem mesmo controla. Durante o governo Dilma Rousseff, a própria presidenta, no exercício de seu mandato, foi investigada pela PF, que foi peça fundamental para o golpe.





