A Casa Palestina programou a exibição dos filmes “Tantura” e “Farha”, em Lisboa, na sexta-feira (22) e na quarta-feira (27), às 20h30. As sessões tratam da Nakba de 1948 por meio de um documentário e de uma ficção baseada em acontecimentos reais. A iniciativa integra a proposta da Casa Palestina de manter viva a produção cultural palestina e de apresentar, pelo cinema, episódios históricos marcados por expulsões, massacres e apagamento.
O primeiro filme da programação é “Tantura”, lançado em 2022 e dirigido por Alon Schwarz. Esse documentário parte da investigação feita pelo estudante de “Israel”, Teddy Katz, sobre o massacre da aldeia palestina de Tantura, em 1948. O estudo de Katz foi inicialmente tratado como inovador, mas depois foi publicamente desacreditado, e o pesquisador passou a ser atacado como traidor. Décadas mais tarde, novas provas e testemunhos reacenderam as dúvidas sobre o episódio.
A exibição de “Tantura” foi marcada para a sexta-feira (22), às 20h30, na Casa Palestina. O documentário propõe uma reflexão sobre como capítulos violentos da história podem ser ocultados, negados ou empurrados para fora do debate público. Ao escolher esse filme, a programação destaca a importância do registro audiovisual para reunir depoimentos, documentos e memórias que desafiam versões oficiais.
O segundo filme é “Farha”, longa-metragem de 2021 dirigido por Darin J. Sallam. A obra acompanha uma adolescente palestina de 14 anos que sonha em estudar, mas vê seu mundo ruir em 1948. Com a violência se aproximando, o pai a esconde em um armazém e promete voltar. Sozinha, ela acompanha do escuro, pelas frestas, cenas que mudam sua vida. O filme foi premiado em festivais internacionais desde sua estreia no Festival Internacional de Toronto.
A sessão de “Farha” está marcada para a quarta-feira (27), também às 20h30. A diretora, de origem palestina, preparou uma mensagem gravada especialmente para a exibição. As duas sessões ocorrem em parceria com a produtora independente Don’t Skip Humanity. A programação reforça o papel do cinema como instrumento de memória histórica, aproximando o público português de relatos palestinos sobre a Nakba e seus efeitos permanentes.



