Cilia Flores, mulher do presidente venezuelano Nicolás Maduro, enfrenta um problema cardíaco que exige tratamento médico enquanto permanece encarcerada nos Estados Unidos. A primeira-dama, de 69 anos, foi capturada juntamente com o marido durante a operação militar norte-americana realizada em Caracas, em 3 de janeiro.
A defesa de Flores solicitou à Justiça norte-americana sua transferência para uma residência na região de Nova Iorque, sob vigilância privada permanente, a fim de permitir a realização de procedimentos médicos e a recuperação fora do estabelecimento prisional.
O casal está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, depois de ter sido transportado à força para os Estados Unidos.
Flores possui problemas cardíacos e necessita de avaliação e intervenção médica. A situação provocou preocupação entre seus familiares, que denunciam as condições de encarceramento.
Na quinta-feira (8), o pedido de liberdade foi discutido perante a Justiça federal de Manhattan. O advogado Mark Donnelly informou que ainda não havia conseguido discutir com a cliente as novas acusações apresentadas naquele mesmo dia pelos promotores norte-americanos.
O Ministério Público dos Estados Unidos se opôs à soltura, argumentando que a prisioneira recebe atendimento médico adequado e que sua transferência representaria risco de fuga e de intimidação de testemunhas.
O juiz Alvin Hellerstein declarou que Flores lhe pareceu relativamente saudável durante a audiência. A avaliação do magistrado, entretanto, não resolve a questão médica apresentada pela defesa, que envolve a necessidade de exames e tratamento especializado.
A situação é consequência direta da operação militar realizada pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Forças norte-americanas capturaram o presidente do país e sua mulher em território venezuelano e os levaram para responder a processos judiciais em Nova Iorque.
O casal foi inicialmente acusado de envolvimento com o tráfico de drogas. Ambos se declararam inocentes. O julgamento está previsto para 1º de junho de 2027.
Na quinta-feira, os promotores acrescentaram acusações de conspiração para cometer tortura. Segundo a denúncia, Maduro e Flores teriam participado de ações contra opositores políticos e cidadãos norte-americanos.
As alegações fazem parte da acusação apresentada pelo Ministério Público e ainda não foram demonstradas em julgamento.
A captura de Maduro e Flores constituiu uma agressão à soberania venezuelana. Os Estados Unidos utilizaram diretamente sua força militar para retirar o chefe de Estado de outro país e submetê-lo a seu próprio sistema judicial.
Agora, a mulher do presidente permanece encarcerada enquanto sua defesa adverte sobre a necessidade de cuidados médicos que não seriam adequadamente prestados na prisão.
O risco apresentado por seus advogados exige atenção, particularmente diante da idade de Flores e da natureza dos problemas de saúde descritos. As autoridades norte-americanas são responsáveis por sua integridade física enquanto a mantiverem presa.



