A China lançou uma operação especial de fiscalização marítima nas águas a leste de Taiuã, em resposta ao anúncio de negociações entre Japão e Filipinas para delimitar zonas econômicas exclusivas e plataformas continentais na região. Para a China, a iniciativa do Japão e das Filipinas viola seus direitos marítimos, pois envolve águas ligadas a Taiuã, território que a China considera parte inseparável de seu país.
A operação foi anunciada pelo Ministério dos Transportes da China, em coordenação com autoridades marítimas de Fujian e Guangdong, além de órgãos de navegação e resgate do Mar da China Oriental. Segundo a imprensa chinesa, o objetivo é exercer a jurisdição administrativa marítima do país, ampliar a capacidade de fiscalização em águas profundas e defender os direitos nacionais chineses.
O estopim foi a reunião de 28 de maio entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr. No encontro, os dois governos trataram de cooperação militar, transferência de equipamentos de defesa, apoio à Guarda Costeira filipina e fortalecimento da política chamada de “Indo-Pacífico Livre e Aberto”, fórmula usada pelo imperialismo para justificar o cerco militar contra a China.
A questão marítima aparece em um quadro muito mais amplo. Japão e Filipinas não estão simplesmente fazendo uma negociação técnica sobre fronteiras no mar. Os dois países vêm sendo integrados cada vez mais à estratégia dos Estados Unidos para pressionar a China no Pacífico. No dia 8 de junho, Japão, EUA e Filipinas realizaram em Manila o segundo Diálogo Marítimo trilateral, com participação de autoridades diplomáticas, militares e de guardas costeiras dos três países.
O Japão, país imperialista, volta a atuar de maneira agressiva no entorno chinês. As Filipinas, por sua vez, governadas por Marcos Jr., vêm se aproximando abertamente da política norte-americana na região.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que qualquer negociação sobre delimitação marítima a leste de Taiuã precisa incluir seu governo. A porta-voz Mao Ning declarou que Japão e Filipinas não podem tratar a área como se a China não existisse, pois, de acordo com a posição chinesa, o país possui zona econômica exclusiva e plataforma continental na região.
Taiuã reagiu à operação chinesa. A Guarda Costeira da ilha afirmou ter enviado navios para acompanhar embarcações chinesas e acusou a China de violar o direito internacional. O governo taiuanês também pediu que Japão e Filipinas respeitem seus interesses nas futuras negociações marítimas, alegando que a área discutida se sobrepõe à zona econômica que reinvidica.
A reação de Taiuã, no entanto, mostra justamente o caráter explosivo da manobra japonesa e filipina. Ao tentar estabelecer limites marítimos em uma área disputada sem incluir a China, Japão e Filipinas alimentam uma crise que interessa sobretudo aos Estados Unidos.
A China considera Taiwan uma província rebelde e nunca descartou o uso da força para impedir a separação definitiva da ilha. A tensão cresceu nos últimos anos com a presença quase diária de aviões e navios chineses no entorno de Taiuã e com o aumento das iniciativas militares dos EUA e de seus aliados na região.



