O governo da China condenou o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos, em declaração feita na terça-feira (14), durante coletiva oficial em Pequim. Os chineses classificaram a medida como perigosa e irresponsável diante da escalada militar na região.
A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, por meio de declaração pública em resposta às ações e ameaças anunciadas pelo governo norte-americano.
A China manifestou oposição ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos nas proximidades dos portos do Irã, apontando riscos à estabilidade regional e à segurança internacional.
Segundo o representante chinês, o aumento das operações militares por parte dos Estados Unidos, aliado à implementação do bloqueio, tende a intensificar as tensões já existentes na região do Estreito de Ormuz. Ele afirmou que a medida compromete a segurança da navegação e pode afetar diretamente o fluxo comercial internacional, especialmente no setor energético.
Guo Jiakun também mencionou que o bloqueio ocorre após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou afundar embarcações que tentassem entrar ou sair de portos iranianos. Para a China, esse tipo de ação eleva o risco de confrontos diretos e dificulta qualquer tentativa de manutenção do cessar-fogo negociado anteriormente.
Além da crítica ao bloqueio, o governo chinês respondeu às ameaças de imposição de novas tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos. Trump havia indicado que poderia adotar medidas econômicas adicionais contra a China caso o país fornecesse apoio militar ao Irã. Em resposta, Pequim afirmou que adotará contramedidas caso tais tarifas sejam implementadas, sinalizando que a China não descarta fornecer algum tipo de apoio militar ao Irã.
Analistas militares, como o Comandante Robinson Farinazzo, acreditam que a China possa ter fornecido algum nível de apoio logístico e transferido tecnologia ao Irã desde a guerra dos 12 dias, em junho de 2025. É importante salientar que apoio logístico e transferência de tecnologia não implicam no fornecimento direto de armas ou na presença de tropas chinesas no Oriente Próximo.
O porta-voz chinês também rejeitou acusações de que o país estaria fornecendo armamentos ao Irã, classificando essas alegações como infundadas. Segundo ele, não há base factual para sustentar tais afirmações.
O cenário ocorre após uma sequência de eventos iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e “Israel” lançaram operações militares contra o Irã. Em resposta, forças iranianas realizaram ataques com mísseis e drones contra alvos militares, em um conflito que durou por mais de quarenta dias.
Um cessar-fogo temporário foi estabelecido em 8 de abril, seguido de negociações realizadas em Islamabad. Apesar de mais de vinte horas de discussões, os EUA não cederam às exigências do Irã.
Posteriormente, o governo norte-americano anunciou o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, com início previsto para segunda-feira (13), às 11h no horário de Brasília (UTC-3). A medida visa interceptar embarcações associadas ao comércio iraniano, ampliando o alcance das ações militares e econômicas na área.
A posição chinesa destaca preocupação com os efeitos dessas ações sobre a segurança global e o equilíbrio das relações internacionais, especialmente em uma região considerada estratégica para o abastecimento energético mundial.




