O chileno Germán Andrés Naranjo Maldini foi preso preventivamente pela Polícia Federal no aeroporto internacional de Guarulhos em São Paulo na sexta-feira (15), sob suspeita de “crime de racismo e homofobia” contra um comissário de bordo brasileiro durante voo da companhia Latam.
O caso ocorreu no sábado (10), em voo que saía de Guarulhos com destino a Frankfurt, na Alemanha, quando o executivo da empresa chilena Landes teria proferido ofensas contra um tripulante, chamando-o de “preto e macaco”, imitando sons do animal, afirmando que o funcionário tinha cheiro de negro brasileiro e declarando que ser homossexual é um problema para ele, conforme vídeo gravado pela própria vítima.
O comissário comunicou à Polícia Federal sobre as falas do chileno e foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva pela Justiça Federal. Na sexta-feira, Maldini passou por audiência de custódia em que o juiz manteve a prisão preventiva, sendo encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.
O executivo chileno tinha passagem de volta marcada, residência fixa no Chile, emprego estável e não representava qualquer risco de fuga ou de repetição de crime, até porque, fora o fantasioso crime de racismo, ele não cometeu nenhum crime. A prisão é totalmente exagerada e só acontece para fazer um jogo de cena de que a lei de racismo de fato combateria os racistas, quando seu verdadeiro propósito é estabelecer o crime de pensamento e fortalecer as instituições mais racistas do País: o Judiciário e a polícia.
A mesma lei que prende preventivamente um estrangeiro por ofensas verbais é a que perseguiu militantes do Partido da Causa Operária (PCO) e condenou Breno Altman e José Maria de Almeida, presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), por defenderem a Palestina. A lei de racismo no Brasil funciona como instrumento de controle do debate público e proibição de posições políticas, sob pretexto de combater o preconceito. Defendê-la, bem como defender a prisão do chileno em questão, é defender a perseguição contra a esquerda.





