A Federação Departamental Única de Trabalhadores Camponeses de La Paz Túpac Katari suspendeu uma reunião ampliada em La Paz, na segunda-feira (22), no terceiro dia do estado de exceção declarado na Bolívia. A entidade divulgou instrutivo de alerta máximo, vigília e mobilização orgânica permanente, após a Assembleia Legislativa Plurinacional apoiar a medida decretada pelo presidente Rodrigo Paz.
A suspensão da reunião não foi apresentada como recuo. A Federação orientou suas bases nas 20 províncias de La Paz a iniciarem imediatamente um processo de rearticulação, reorganização e fortalecimento interno. A direção chamou reuniões, ampliados provinciais e consultas às bases para avaliar a conjuntura nacional e definir os próximos passos.
A aprovação do estado de exceção pela Assembleia Legislativa Plurinacional provocou forte reação entre as organizações camponesas. Para a Túpac Katari, o apoio parlamentar representa um ataque contundente às demandas dos camponeses e dos índios, e defende que decisões dessa natureza não poderiam ser tomadas sem consulta direta às bases.
O instrutivo também rejeita qualquer decisão política adotada sem consenso com as organizações sociais e com as 20 províncias. A Federação afirma que medidas impostas de cima para baixo violam princípios de participação, respeito e autodeterminação. A crítica atinge o governo e também o Parlamento, que aprovou apoio à exceção por mais de dois terços de seus integrantes.
A entidade ratificou ainda a vigência do chamado Plano Pulga e determinou que as estruturas afiliadas mantenham coordenação territorial. O objetivo é preservar a capacidade de resposta organizada diante de possíveis novas medidas do Estado.
O estado de exceção amplia poderes do Executivo e pode restringir manifestações, deslocamentos e formas de organização coletiva. Na Bolívia, onde sindicatos, organizações rurais e comunidades têm peso histórico nas lutas políticas, medidas desse tipo costumam provocar reação imediata.
A decisão da Federação mostra que os camponeses não aceitaram passivamente a nova situação. Ao suspender a reunião central e transferir o foco para as províncias, a entidade procura evitar dispersão, manter vigilância e preparar deliberações desde a base.
O episódio aprofunda o desgaste entre organizações sociais e instituições estatais. A resposta da Túpac Katari indica que o estado de exceção poderá encontrar resistência organizada nas regiões rurais, especialmente se vier acompanhado de restrições à mobilização popular.




