Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Campanha salarial: 27% são as perdas salariais dos bancários

Índice reivindicado pela Contraf e principais sindicatos bancários do País reflete apenas a inflação medida pelo INPC

Pressionada pela insatisfação generalizada de toda a categoria com a situação de sufoco financeiro em que os bancários se encontram hoje, o Comando Nacional e a direção da Contraf, majoritariamente constituída pela Articulação PT, que controla a CUT, veem-se forçados a ensaiar uma “campanha” salarial, cujo índice apontado por essa mesma burocracia vai no sentido de defender, nos Congressos Específicos e na Conferência Nacional dos Bancários, uma reposição salarial de apenas o INPC mais 5% de “ganho real”.

Esse índice reivindicado pela Contraf e pelos principais sindicatos bancários do País reflete apenas a inflação medida pelo INPC, índice fajuto, criado para apagar da memória dos trabalhadores as perdas salariais provocadas pelos planos econômicos anteriores, com o acréscimo da produtividade média dos principais bancos do País, 5%, mais uma verdadeira fraude diante dos lucros astronômicos realizados pelos bancos, enquanto todas as perdas dos bancários desde a famigerada era do governo de FHC (PSDB), hoje em torno de 27%, “sumiram” para os “nossos” dirigentes. Ao mesmo tempo em que não só “esquecem” as perdas passadas, mas também abandonam o ICV do DIEESE como parâmetro histórico de medida das nossas perdas, adotam o índice criado na ditadura militar, no governo João Figueiredo, para extingui-las.

Esse “esquecimento”, que tem levado a categoria à situação de penúria, reflete a adaptação e o apoio dessas “direções” aos sucessivos planos econômicos de arrocho salarial dos banqueiros e dos diversos governos.

Ademais, e como consequência dessa política de apoio, a propalada “unificação” da categoria não passa de um mascaramento da tentativa de colocar o conjunto dos trabalhadores bancários a reboque das tortuosas “negociações” enrolativas e intermináveis com os banqueiros, que, como sempre, apenas servem para frear a mobilização da categoria e, neste ano, devido ao processo de eleições gerais, farão de tudo para terminar a campanha rapidamente para, conforme a tese da burocracia sindical, não “atrapalhar” a campanha eleitoral do Lula.

O que se coloca para os bancários, neste momento, é preparar, organizar e impulsionar uma forte reação contra a ofensiva dos banqueiros e dos seus governos, por meio de um plano de lutas que reafirme as reivindicações que expressem, na íntegra, as verdadeiras necessidades da categoria. Nesse sentido, é de fundamental importância que, nos Congressos e na Conferência Nacional, em que se discutem e deliberam as pautas de reivindicações para a Campanha Salarial da Categoria, que se realizarão no final de junho, defina-se uma verdadeira pauta de reivindicações que seja para lutar, como querem os trabalhadores, e não para capitular ante os banqueiros, como sistematicamente vem acontecendo devido à política de capitulação das atuais direções ligadas à Articulação Bancária (PT), corrente majoritária da Contraf.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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