Eleições 2026

Bolsonarismo obteria maioria no Senado, indicam pesquisas

Oposição pode chegar a 43 cadeiras, enquanto a política de conciliação do PT ajuda o bolsonarismo a aparecer como adversário do regime

A política eleitoral do PT de se aliar com Deus e o diabo para supostamente derrotar o bolsonarismo está produzindo um resultado bastante diferente do anunciado. As pesquisas para o Senado indicam crescimento da oposição e colocam o PL, partido de Jair Bolsonaro, como uma das principais forças da próxima legislatura.

Levantamento do Poder360, feito com as pesquisas mais recentes nos 26 Estados e no Distrito Federal, aponta que o número de senadores de oposição ao governo Lula pode passar dos atuais 34 para 43 em 2027. A maioria absoluta da Casa é de 41 parlamentares.

Das 54 cadeiras em disputa neste ano, candidatos classificados como oposicionistas lideram por 27 vagas. Outros 21 nomes competitivos são supostamente aliados do governo, enquanto seis aparecem como flutuantes.

O PL é o partido em melhor situação dentro desse campo. Onze de seus candidatos aparecem em posição competitiva. Somados aos parlamentares cujos mandatos continuam até 2031, a legenda poderia chegar a 20 senadores. O PT teria 10.

As pesquisas ainda podem mudar até a eleição, mas já revelam o fracasso da política apresentada pela direção petista como a única maneira possível de derrotar a extrema direita.

Pelo menos desde 2022, o PT sustenta que seria necessário reunir uma frente cada vez mais ampla com partidos e políticos da direita para isolar Bolsonaro. Foi assim que Geraldo Alckmin, um expoente do PSDB e da política neoliberal, acabou na Vice-Presidência da República.

No Congresso, a mesma orientação levou o governo a procurar acordos com Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Arthur Lira e toda a fauna política que domina as duas Casas.

Alcolumbre recebeu apoio governista para voltar à presidência do Senado. Hugo Motta chegou ao comando da Câmara com apoio de uma composição que reuniu do PT ao PL. Antes dele, Lula passou boa parte do mandato negociando com Arthur Lira e seu grupo.

São alguns dos políticos mais identificados com a podridão do Congresso: distribuição de cargos, emendas, acordos de bastidores e toda sorte de negócios feitos longe dos olhos da população.

O PT não os combate. Governa com eles, apesar da propaganda que ajudou a impulsionar alguns meses atrás, a de que todo o Congresso seria “inimigo do povo”.

É justamente aí que a política petista presta um enorme serviço ao bolsonarismo.

Para uma parcela da população, o que existe hoje em Brasília é o governo Lula associado a Alcolumbre, Motta, partidos do Centrão e toda a camarilha parlamentar que vive de negociar seu apoio.

Os bolsonaristas procuram aparecer do outro lado.

É uma fraude. Bolsonaro governou associado ao Centrão, entregou enorme poder a Arthur Lira e seu partido participa normalmente dos acordos que sustentam a direção do Congresso. O próprio PL apoiou Hugo Motta na disputa pela presidência da Câmara.

Mas o PT ajuda a esconder tudo isso quando se apresenta como aliado dos mesmos personagens.

Em vez de denunciar a direita impopular do Congresso e organizar os trabalhadores contra ela, incorpora seus dirigentes ao bloco governista e apoia seus candidatos. Abre assim um espaço enorme para que Bolsonaro e seus seguidores façam demagogia contra “o sistema” e se apresentem como inimigos do regime político.

Quanto mais o PT abraça os inimigos do povo, mais fácil fica para o bolsonarismo fingir que não tem nada a ver com eles. Essa é uma política suicida.

O descontentamento contra os parlamentares é enorme. Milhões de trabalhadores têm todos os motivos para odiar um Parlamento dominado por políticos que aprovam ataques contra a população enquanto disputam bilhões em emendas, cargos e vantagens.

Uma política de esquerda deveria dirigir essa revolta contra a direita e contra os capitalistas que controlam o regime. O PT faz o contrário.

Alia-se justamente aos homens que personificam esse Congresso e depois pede ao eleitor que acredite que essa aliança é necessária para combater a extrema direita. 

O bolsonarismo agradece. Pode posar de oposição ao governo e ao regime parlamentar, embora tenha participado intensamente de ambos. Quanto mais o PT fica identificado com a direita tradicional, mais espaço sobra para essa encenação.

Os números para o Senado mostram que a manobra petista não está isolando ninguém.

A oposição pode passar de 34 para 43 cadeiras. O PL, segundo as pesquisas reunidas pelo Poder360, tem condições de chegar a 20 senadores, o dobro da bancada projetada para o PT.

Não é exatamente o resultado que se esperaria da fabulosa estratégia de cercar o bolsonarismo por meio de uma aliança com toda a direita disponível.

A justificativa muda conforme a ocasião.

É preciso apoiar Alcolumbre para manter a governabilidade. É preciso chegar a um acordo com Motta para aprovar projetos. Antes, era preciso negociar com Lira. Nos Estados, é preciso apoiar candidatos da direita para formar chapas competitivas. Em 2022, foi preciso colocar Alckmin como vice para derrotar Bolsonaro.

Cada capitulação é apresentada como uma jogada de mestre contra o fascismo.

Somadas, elas transformam o PT em sócio daquilo que existe de mais impopular no regime político e permitem que a extrema direita apareça como oposição.

É uma inversão completa.

Alcolumbre, Motta, Lira e seus partidos deveriam ser denunciados como inimigos dos trabalhadores. O governo, porém, procura demonstrar que sabe conviver com eles.

Quando a população se revolta contra essa gente, encontra os bolsonaristas tentando canalizar o descontentamento.

Não porque sejam adversários reais do Centrão e da burguesia parlamentar. Não são. Mas porque a política do PT facilita a mentira.

A chamada frente democrática acaba fazendo o serviço em duas pontas: dá poder e respeitabilidade à direita tradicional e entrega ao bolsonarismo o papel de oposição.

Se as pesquisas atuais se aproximarem do resultado final da votação, essa política vendida como a grande estratégia para derrotar o fascismo poderá terminar com o PL muito mais forte e com a “extrema direita” controlando a maioria absoluta do Senado.

 

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