A Bolívia começou o mês de junho com mais de 90 pontos de bloqueio em estradas, em uma mobilização que já dura mais de um mês e atinge seis departamentos do país. Segundo o mapa de transitabilidade da Administradora Boliviana de Carreteras (ABC), Cochabamba passou a concentrar o maior número de cortes de vias, superando La Paz, que durante semanas havia sido o principal centro dos bloqueios.
Até as primeiras horas desta segunda-feira (1º), Cochabamba registrava 32 bloqueios. La Paz aparecia em seguida, com 19. Potosí tinha 16 pontos de interrupção, Oruro 11, Chuquisaca nove e Santa Cruz três.
A mobilização exige a renúncia do presidente Rodrigo Paz. No domingo (31), uma reunião ampliada de emergência da Central Obrera Boliviana (COB) decidiu não participar do diálogo proposto pelo governo e manter os bloqueios. O governo insiste na abertura de negociações, mas ainda não havia se pronunciado sobre a decisão da COB.
A ABC também informou danos em estradas atingidas pelos bloqueios, especialmente no trecho Caracollo–Confital–Bombeo, na rota entre Oruro e Cochabamba, parte do eixo central do país. De acordo com relatórios de microempresas de conservação vial responsáveis pelo monitoramento da rede rodoviária, foram identificados danos em setores da pista por causa de queima de pneus, fogueiras sobre o asfalto, deslocamento de elementos de segurança viária e uso de explosivos nas proximidades das estradas.
A continuidade dos protestos também foi reforçada por dirigentes camponeses de sete departamentos. Representantes de La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca, Cochabamba, Tarija e Santa Cruz realizaram uma reunião virtual e decidiram exigir a renúncia imediata de Rodrigo Paz, diante da falta de solução para as reivindicações econômicas e sociais dos setores mobilizados.
Segundo os dirigentes, a decisão foi comunicada à direção da COB para que a central não se afaste das determinações das bases que permanecem nas estradas. “Os dirigentes durante o debate ratificaram sua posição e a decisão das bases, frente à atual conjuntura nacional, política e social, e acordaram seguir coordenando ações com distintos setores sociais”, declarou um dos representantes à imprensa.
Em El Alto, os caminhoneiros também decidiram manter as mobilizações. A Central Única de Camioneros de El Alto anunciou que não reconhece mais os dirigentes Edson Valdez e Reynaldo Luna, da Federación de Choferes Primero de Mayo y Andina, e que seguirá mobilizada até que o governo atenda às reivindicações do setor.
Segundo reportagem da Abya Yala Televisión, a resolução foi aprovada em uma reunião ampliada ordinária com secretários-gerais, chefes de setor e representantes de organizações filiadas. Os transportadores criticam acordos sobre a qualidade dos combustíveis, a participação de dirigentes em reuniões convocadas pelo governo sem consulta às bases e a falta de respostas concretas às demandas apresentadas.
Os caminhoneiros de El Alto também rejeitaram a participação em novas reuniões com autoridades do governo e anunciaram uma marcha de protesto para esta segunda-feira (1º). O setor exige a renúncia de Rodrigo Paz e de seus ministros.
A crise política também ganhou um novo episódio em Sacaba, no departamento de Cochabamba. Uma faixa vermelha apareceu na passarela do terminal de ônibus do município com uma ameaça ao ex-presidente Evo Morales. A mensagem dizia: “Evo, é a DEA ou somos nós, cumpra sua promessa”. A faixa estava aparentemente assinada pelo PCC, organização criminosa brasileira.
Dirigentes ligados às mobilizações, no entanto, denunciam que a faixa foi feita pelo próprio governo. Segundo eles, trata-se de uma provocação, uma vez que o governo já ameaçou Morales em outras ocasiões e tenta vinculá-lo aos bloqueios que se estendem por 31 dias em todo o país.
A faixa foi registrada na madrugada de domingo (31), durante uma jornada do Dia do Pedestre em Sacaba e no Cercado. Veículos bolivianos noticiaram que ela permaneceu durante a manhã à vista de moradores e transeuntes que passavam pela avenida Villazón.





