As autoridades do Barém entregaram à família, nesta sexta-feira (27), o corpo do ativista Mohammad al-Mousawi, dias depois de ele ter sido detido em um posto de controle. As fotos divulgadas do corpo de al-Mousawi mostram que ele foi torturado até a morte. Segundo relatos, o motivo de seu assassinato foi a oposição à guerra dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã.
Um vídeo divulgado nas redes mostra o corpo de al-Mousawi no necrotério local, com marcas de tortura no rosto, nas pernas, nos braços e nos pés. A defensora de direitos humanos Maryam al-Khawaja afirmou que o ativista já havia passado 12 anos na prisão e que, depois de ser libertado em 2024, foi preso novamente há poucos dias no posto de controle.
A Sociedade Nacional Islâmica Al-Wefaq afirmou que al-Mousawi foi detido e submetido a tortura brutal até a morte com base em acusações falsas de ligação com células iranianas secretas. Em nota publicada no X, o partido declarou que “o regime do Barém recorreu ao assassinato do cidadão bareinita Sayed Muhammad Mohsen al-Mousawi, da província de Muharraq, dias após sua prisão, como resultado da tortura brutal e mortal praticada pelo regime bareinita contra inocentes, com o objetivo de incriminá-los em células e organizações fabricadas”.
Na mesma nota, a Al-Wefaq afirmou que, após dias sem qualquer notícia do ativista, ele foi entregue à família “como um cadáver sem vida, mutilado, despedaçado pelos brutais instrumentos de tortura nas mãos do regime bareinita, representado pelo notório Ministério do Interior, conhecido por cometer crimes contra a humanidade ao longo dos últimos anos”.
Segundo as denúncias divulgadas junto ao caso, as autoridades do Barém prenderam centenas de pessoas desde o início da guerra dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, entre elas mulheres e crianças. De acordo com essas informações, os detidos vêm sendo submetidos a tortura e a campanhas difamatórias promovidas pelo aparato estatal.
A Al-Wefaq, partido xiita do Barém, foi proibida pelas autoridades em 2011. Entre 2006 e 2011, era a principal força do Parlamento do país, com 18 deputados em uma Câmara de 40 membros. O Barém tem maioria xiita, mas é governado por uma monarquia constitucional comandada pela família Khalifa, uma dinastia sunita apoiada pela Arábia Saudita.
Repressão interna acompanha guerra contra o Irã
Em 2011, manifestações de massa eclodiram contra a família governante no marco da chamada Primavera Árabe. Para sufocar o levante, a monarquia bareinita contou com a intervenção direta do exército saudita, que enviou tanques ao país para ajudar a esmagar os protestos.
O Barém abriga a maior base naval dos EUA na região do Golfo e permitiu que as forças norte-americanas lançassem ataques contra o Irã a partir de seu território desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro. Em resposta, o Irã passou a atingir bases norte-americanas instaladas no país, além de infraestrutura petrolífera bareinita.
Segundo os relatos divulgados sobre a guerra, os ataques iranianos contra alvos sediados no Barém começaram já no primeiro dia do conflito, em 28 de fevereiro. No começo de março, haviam sido lançados cerca de 70 a 75 mísseis balísticos e mais de 120 VANTs. As autoridades bareinitas afirmaram que a maior parte dos projéteis foi interceptada.
Entre os alvos atingidos ou visados estavam instalações ligadas à Quinta Frota dos EUA, estruturas militares bareinitas e norte-americanas, o complexo da refinaria BAPCO, em Ma’amir, e locais em Manama associados ao pessoal norte-americano. Também foram relatados ataques contra instalações próximas ao Aeroporto Internacional do Barém e contra a usina de dessalinização de Abu Jarjour.
O assassinato de al-Mousawi ocorre, assim, em meio ao aprofundamento da repressão interna promovida pela monarquia do Barém, aliada direta dos Estados Unidos e participante da ofensiva contra o Irã.








