O crédito consignado foi criado em 2003. Inicialmente, uma exclusividade dos servidores públicos. Em 2004, a modalidade foi ampliada para abranger aposentados e pensionistas do INSS.
Juros “mais baixos”
O atrativo do crédito consignado sempre foi a cobrança de taxas de juros menores que as demais linhas de crédito oferecidas pelos bancos. No entanto, isso nunca significou que as taxas do consignado fossem realmente baixas, sendo cobrados, em média, dependendo do setor e da época, entre 25% e 50% ao ano.
Os empréstimos eram contratados para pagamentos em até 8 anos, com parcelas de até 35% dos salários. Dessa forma, os bancos receberam, somente de juros, entre 2 vezes (8 x 25% = 200%) até 4 vezes (8 x 50% = 400%) do valor emprestado. Um roubo escancarado!
CLT
Em 2025, o governo federal criou o “Crédito do Trabalhador”, um tipo de consignado destinado aos trabalhadores de empresas privadas, rurais, domésticos e MEIs. Também com a mesma promessa de “juros baixos” mas, na realidade, com juros muito elevados, variando entre 45,8% a 115% ao ano.
Endividamento enorme
A Nota para a imprensa do Banco Central de 25 de fevereiro, mostra que o endividamento das pessoas físicas no Brasil totaliza R$ 4,5 trilhões, valor correspondente a cerca de 1/3 do PIB e valor mais de 12 vezes superior ao da massa salarial anual (R$ 361,7 bilhões), ou seja, as dívidas somam o total dos salários dos próximos 12 anos.
Este é um dos principais motivos pelo altíssimo índice de 80,2% de endividamento das famílias brasileiras e de 81,7 milhões de pessoas inadimplentes, com restrições de crédito etc.
Há tempo para reverter a situação?
Assim, temos uma combinação de dois fatores que têm levado a um enorme empobrecimento da população: salários arrochados e enorme endividamento. Isso produz uma transferência de boa parte da renda do conjunto da classe trabalhadora para os banqueiros abutres. Um aprofundamento da política de concentração da riqueza nacional nas mãos de “meia dúzia” de sanguessugas, enquanto a grande maioria trabalhadora vive em condições miseráveis e de retrocesso nas condições de vida.
Recentemente, o presidente Lula, preocupado que essa situação possa prejudicar sua já combalida popularidade, convocou reunião ministerial e determinou que sejam tomadas medidas para reduzir as taxas de juros.
Para modificar essa situação, não bastam discursos ou medidas paliativas. São necessárias medidas concretas como aumento emergencial de 100% nos salários, a começar pelo salário mínimo e estatização de todo o sistema financeiro, sob o controle dos trabalhadores.



