Depois de lucrarem R$ 174 bilhões no ano passado, os bancos chegaram à Campanha Nacional dos Bancários com uma proposta à altura da ganância do setor: congelar o piso de entrada dos trabalhadores.
Na rodada de negociação, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) sequer apresentou um índice geral de reajuste salarial.
Os bancos também colocaram sobre a mesa a possibilidade de estabelecer aumentos diferentes de acordo com faixas de salário, criando uma divisão dentro da própria categoria.
A ofensiva patronal chegou ainda aos benefícios. Durante as discussões, surgiu a proposta de reduzir valores de vale-refeição e vale-alimentação em determinadas regiões do País, sob a alegação de que o custo da alimentação seria menor fora dos grandes centros.
Não existe qualquer dificuldade financeira que justifique esse arrocho.
Os bancos brasileiros estão entre os setores mais lucrativos da economia. Enquanto tentam economizar no piso dos trabalhadores, seus altos executivos recebem remunerações anuais milionárias.
A fortuna dos banqueiros não cai do céu. É retirada do trabalho dos bancários e dos juros extorsivos impostos a toda a população.
São os funcionários que atendem clientes, vendem produtos, cumprem metas, mantêm sistemas funcionando e suportam uma pressão cada vez maior depois de anos de fechamento de agências e redução de pessoal.
Diante de R$ 174 bilhões em lucros, congelar o piso é uma provocação.
A campanha salarial deveria partir da situação concreta do setor: se existe dinheiro para distribuir bilhões aos acionistas e milhões à alta cúpula, existe dinheiro para um grande aumento real dos salários, valorização dos pisos e manutenção integral dos benefícios.




