Uma reportagem do The New York Times reuniu relatos, denúncias, indícios e provas de violência sexual contra palestinas e palestinos na segunda-feira (11). A matéria, do jornalista norte-americano Nicholas Kristof, é baseada em entrevistas com ex-detidos e documentação de ONGs de direitos humanos. O material descreve um quadro mais amplo do que se conhecia publicamente: mulheres, homens e até crianças relataram abusos de soldados, carcereiros, interrogadores e colonos de “Israel”, envolvendo objetos, tortura e até uso de cães. As entrevistas foram checadas com testemunhas, familiares, advogados, pesquisas e, em um caso, depoimento à ONU.
As denúncias apontam que a violência sexual contra palestinas não seria apenas o tipo de violência sexual comum em presídios, mas parte de um padrão de humilhação, tortura e intimidação. A descrição mais grave envolve mulheres despidas repetidamente, tocadas por guardas homens e mulheres e agredidas até a perda de consciência. Em um dos relatos, uma detida disse não saber se havia sido estuprada porque desmaiava durante as agressões. Outros testemunhos falam de ameaças, nudez forçada, abuso com objetos, ataques com cães e registros com câmeras das humilhações.
A apuração também revela que as agressões foram relatadas por crianças palestinas presas, como arremesso de pedras. Kristof localizou três meninos que passaram por detenção e todos descreveram abuso sexual. A extensão dos relatos e das provas reforça a avaliação de que o problema não se limita a uma única instalação, como o centro de detenção de Sde Teiman, que já era conhecido por práticas especialmente desumanas, mas atravessa prisões, interrogatórios e ações em vilas palestinas sob ocupação. ONGs como B’Tselem, Save the Children, Euro-Med Human Rights Monitor e organismos da ONU já haviam documentado denúncias de maus-tratos e violência sexual contra detidos palestinos.
O governo de “Israel” reagiu com negação e prometeu processar o New York Times e Kristof por difamação. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o texto de “calúnia de sangue” e disse que consultores jurídicos avaliariam a ação. O jornal defendeu a reportagem, afirmando que os 14 relatos de homens e mulheres foram confirmados sempre que possível e passaram por verificação detalhada. Juristas ouvidos em reportagem do The Guardian duvidaram da viabilidade de uma ação desse tipo em tribunais dos EUA, onde críticas a governos recebem proteção constitucional ampla.
O ponto central da denúncia é que a violência sexual contra palestinas foi tratada por anos como algo lateral pela grande imprensa norte-americana e agora os novos relatos verificados pelo NYT apresentam uma brutalidade, que excede até mesmo as expectativas dos que defendem a Palestina. Milhares de reféns palestinos estão presos sem sequer uma acusação formal, sem que se saiba quem são e sem possibilidade de verificar sua integridade física, moral e psicológica. Palestinos libertados nas trocas de reféns mostravam claros sinais de fome, tortura e dos mais diversos tipos de mazelas, mas, até então, o nível de depravação das torturas sexuais era incerto, com denúncias difusas não verificadas, comparadas e comprovadas como feito pela reportagem norte-americana.





