A guerra chegou primeiro ao calendário dos clubes sauditas. Em outubro, partidas da liga nacional foram adiadas porque o fechamento de aeroportos prejudicou as viagens das equipes. Ainda assim, a Confederação Asiática de Futebol confirmou em 26/10 que a Copa da Ásia de 2027 começará na Arábia Saudita em 7/1, com o jogo entre a seleção anfitriã e a Palestina, em Riade.
O torneio terá, segundo a programação anunciada, 51 partidas em oito estádios de Riade, Jedá e Al-Cobar. A final está prevista para 5/2. A confirmação não eliminou as preocupações de federações participantes. O presidente da federação japonesa, Tsuneyasu Miyamoto, já havia declarado que a situação de segurança tornaria difícil realizar a competição nas datas marcadas.
No mesmo dia do anúncio da Copa, os organizadores do Rali Dacar informaram que a edição de 2027 sairia da Arábia Saudita. Os dirigentes do futebol optaram pelo caminho oposto. Jogadores, trabalhadores dos estádios e torcedores passarão a depender de condições que a confederação não pode assegurar apenas publicando uma tabela.
A monarquia saudita passou anos atacando e bloqueando o Iêmen. Agora enfrenta ataques iemenitas capazes de atingir seu território e comprometer aeroportos. O DCO também noticiou a denúncia do Iêmen de um bombardeio saudita contra o aeroporto de Saná. A guerra que Riade levou ao país vizinho repercute sobre os eventos internacionais usados para promover a imagem da monarquia.
A partida inaugural contra a Palestina acontecerá em uma região marcada pela ocupação sionista e por guerras conduzidas com apoio das grandes potências. Os dirigentes querem preservar o espetáculo; a segurança real de quem participará dele depende do fim da agressão contra o Iêmen.





