“Israel” deportou, neste domingo (10), o brasileiro Thiago Ávila e o hispano-palestino Saif Abukeshek, ativistas sequestrados pela Marinha israelense em 30 de abril, quando participavam da Flotilha Global Sumud, missão humanitária que tentava romper o cerco criminoso imposto contra a Faixa de Gaza.
Os dois foram sequestrados em águas internacionais, nas proximidades da ilha grega de Creta, e levados para os territórios ocupados, onde permaneceram reféns por vários dias. Os demais participantes da flotilha foram liberados antes, enquanto Ávila e Abukeshek foram mantidos sob interrogatório.
A flotilha tinha como objetivo levar ajuda humanitária à população civil de Gaza, submetida ao bloqueio de “Israel” e a uma campanha de fome, bombardeios e destruição. A ação da Marinha israelense ocorreu fora das águas territoriais sob controle do regime sionista, o que foi denunciado pelos ativistas como uma violação flagrante do direito internacional.
Após ser deportado, Abukeshek publicou um vídeo nas redes sociais informando que havia chegado a Atenas, na Grécia, e agradeceu aos que participaram da campanha por sua libertação.
“Quero agradecer a todos que se mobilizaram, à nossa equipe jurídica Adalah, à minha família, à minha esposa e aos meus filhos, aos meus colegas do movimento”, declarou.
O Ministério das Relações Exteriores de “Israel” afirmou que Abukeshek era suspeito de ligação com uma organização “terrorista” e que Ávila era acusado de atividade ilegal. A acusação foi apresentada sem provas e serviu para tentar associar a missão humanitária à resistência palestina.
Segundo os ativistas, a viagem tinha caráter exclusivamente humanitário. O objetivo era entregar ajuda à população de Gaza, onde a política de cerco de “Israel” resultou em miséria generalizada.
Durante o período de prisão, os dois denunciaram agressões e tortura. Segundo a organização jurídica Adalah, Ávila e Abukeshek foram mantidos em isolamento total na prisão de Shikma, em Asquelão, submetidos a iluminação intensa durante 24 horas por dia e mantidos vendados sempre que eram deslocados, inclusive em exames médicos.
Advogados que visitaram os ativistas no sábado (9) afirmaram que eles relataram “abusos físicos severos equivalentes a tortura”. Os relatos também incluem espancamentos, privação de sono, ameaças de morte, abandono médico e intimidação psicológica.
Abu Salih, ligado à defesa dos ativistas, afirmou à AFP que os dois eram submetidos a “tortura psicológica” durante a detenção. Segundo ele, os interrogadores israelenses tentavam, repetidamente, associar a ajuda humanitária ao Hamas.
Os organizadores da Flotilha Global Sumud também denunciaram a situação. Em publicação na rede X, afirmaram que Ávila e Abukeshek haviam sido submetidos a interrogatórios, ameaças de morte, privação de sono e negligência médica desde que foram levados à força para a Palestina ocupada.





