O presidente Lula afirmou, na sexta-feira (29), que voltará a indicar Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita durante agenda em Sergipe, no anúncio de investimentos da Petrobrás, quando o presidente disse que Messias não foi derrotado por falta de qualificação jurídica, mas por uma “questão simplesmente política”.
“Eu vou mandar o Messias outra vez”, declarou Lula. A fala ocorre depois de uma das maiores derrotas sofridas pelo governo no Congresso. Em abril, o Senado rejeitou a indicação de Messias por 42 votos contra e 34 a favor. Para ser aprovado, o nome precisava de ao menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. Foi a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de 130 anos. A rejeição de Messias foi, portanto, parte de uma queda de braço entre o governo Lula e a direita e a extrema direita, que vêm impondo sucessivas derrotas ao Planalto.
É nesse cenário que a nova notícia sobre Pacheco ganha importância. Também na sexta-feira (29), o ex-presidente do Senado anunciou que não será candidato ao governo de Minas Gerais em 2026 e que pretende encerrar sua carreira política ao fim do mandato, em 2027. Pacheco também descartou uma eventual indicação para o STF.
A decisão frustra outro plano do governo Lula. Pacheco era tratado por setores do PT e do governo como uma peça importante para montar um palanque em Minas Gerais, um dos principais colégios eleitorais do País. Ou seja, o mesmo agrupamento político que pressionou contra Messias, colocando Pacheco como alternativa para o STF, agora deixa Lula também sem o nome que vinha sendo cogitado para a disputa mineira.
A insistência em reenviar o nome de Messias ao Senado aparece como uma política de fingir que nada aconteceu. A questão não é apenas Messias. A questão é que o Senado demonstrou, de forma pública, que está disposto a fechar o cerco contra o governo Lula. Indicar novamente Messias, sem uma mudança de orientação política, significa apostar novamente no mesmo terreno que produziu a derrota.





