Europa

Após chacina em Lugansk, Rússia bombardeia alvos militares em Quieve

Ministério da Defesa russo afirmou que atingiu alvos militares após bombardeio ucraniano assassinar 21 pessoas em dormitório de estudantes

As Forças Armadas da Rússia realizaram, na madrugada de domingo (24), um ataque de grande escala contra instalações militares da Ucrânia, incluindo alvos na região de Quieve. A operação ocorreu após o presidente Vladimir Putin ordenar ao Ministério da Defesa que apresentasse propostas de resposta ao ataque ucraniano contra um dormitório do Colégio de Starobelsk, instituição ligada à Universidade Pedagógica de Lugansk.

O ataque ucraniano ocorreu na sexta-feira (22), enquanto estudantes dormiam no prédio. Segundo as autoridades da República Popular de Lugansk, 21 pessoas foram assassinadas e 42 ficaram feridas, a maioria adolescentes. Putin classificou o bombardeio como um “ato terrorista” deliberado.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que a resposta atingiu instalações de comando e controle das Forças Armadas ucranianas, bases aéreas e empresas da indústria militar do país. Foram usados o sistema hipersônico de alcance intermediário Oreshnik, mísseis balísticos Iskander, mísseis hipersônicos Kinzhal e Zircon, mísseis de cruzeiro lançados do ar, do mar e da terra, além de VANTs de ataque.

“Em resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra instalações civis em território russo, as Forças Armadas da Federação Russa realizaram um ataque massivo”, informou o Ministério.

Segundo a pasta, não foram planejados nem executados ataques contra infraestrutura civil ucraniana. “Os objetivos do ataque foram alcançados. Todos os alvos designados foram atingidos”, afirmou o Ministério da Defesa russo.

Confira vídeos da operação russa da madrugada deste domingo:

 

O dormitório atingido pelas forças ucranianas pertence ao Colégio de Starobelsk, na República Popular de Lugansk. O governador Leonid Pasechnik decretou luto oficial nos dias 24 e 25 de maio e classificou o ataque como “puro mal”. Segundo ele, os responsáveis enfrentarão “punição merecida e inevitável”.

Vídeos publicados por canais ucranianos no Telegram e por veículos de imprensa da Ucrânia mostraram vários objetos luminosos descendo rapidamente do céu na região de Bila Tserkva, cidade próxima a Quieve. As imagens foram atribuídas ao possível uso do Oreshnik contra um alvo não especificado.

O Ministério da Defesa da Rússia não confirmou oficialmente, até o momento, o emprego do Oreshnik nesse ponto específico. A Rússia havia confirmado publicamente o uso do sistema em novembro de 2024, quando atingiu a instalação militar-industrial Yuzhmash, em Dniepropetrovsk. Segundo o Ministério da Defesa russo, o sistema voltou a ser utilizado em janeiro de 2026, destruindo uma fábrica de reparos de aeronaves em Livive.

O ex-inspetor de armas da ONU Scott Ritter afirmou à RT que as imagens do ataque próximo a Quieve indicam o provável uso do Oreshnik. Segundo ele, “há ao menos um ataque nas proximidades de Quieve que tem as características visuais de um míssil Oreshnik”.

“São precisamente as mesmas seis entregas separadas de seis submunições, 36 ao todo, imitando o uso anterior confirmado do Oreshnik”, disse Ritter, em referência aos ataques anteriores em Dniepropetrovsk e Livive.

Ritter afirmou ainda que o alvo não parece ter sido o centro de Quieve, mas uma cidade próxima que abriga um aeródromo militar de interesse das forças russas. “Talvez houvesse algo acontecendo ali que fosse digno de um ataque com Oreshnik”, declarou.

Para o ex-inspetor da ONU, a operação mostra que a Rússia está cumprindo a resposta prometida após o ataque em Lugansk. “Está claro que a Rússia está tomando a ação prometida em resposta às atrocidades que aconteceram em Lugansk”, afirmou.

Ritter também classificou o bombardeio contra o dormitório como “um ato de terror” e disse que o episódio demonstrou novamente o caráter do governo ucraniano. Segundo ele, o possível uso do Oreshnik envia um sinal não apenas à Ucrânia, mas também aos países imperialistas que permitem e impulsionam ataques ucranianos dentro do território russo.

Antes da operação russa, a Embaixada dos Estados Unidos em Quieve havia alertado cidadãos norte-americanos sobre um “ataque aéreo potencialmente significativo” nas 24 horas seguintes. A representação norte-americana recomendou que seus cidadãos estivessem prontos para buscar abrigo imediatamente em caso de alerta aéreo.

Além dos ataques com mísseis, o Ministério da Defesa russo informou perdas ucranianas em diferentes frentes de combate. Segundo a pasta, o agrupamento Vostok eliminou mais de 265 soldados ucranianos; o agrupamento Sever, mais de 175; o Tsentr, mais de 305; o Zapad, até 180; o Yug, até 90; e o Dnepr, mais de 50.

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