A derrota na indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), provocou um verdadeiro alvoroço na esquerda brasileira, que não sabe o que fazer. O artigo Como Messias pode ter salvado a reeleição de Lula, de Fernando Horta, publicado no Brasil 247 nesta terça-feira (5), busca fazer uma análise do acontecimento, mas de uma maneira muito complicada.
São mais de 15 mil caracteres, mas nada disso adianta. A coisa é, de certa maneira, simples: se Lula quiser vencer as eleições, vai ter de se mostrar antissistema, pois sua imagem está muito atrelada ao STF, envolvido em um mega escândalo do Banco Master. Lembrando que a população rejeita o tribunal.
Reproduzirmos abaixo o primeiro parágrafo integralmente:
“A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, ocorrida na semana passada, foi recebida pela imprensa e por boa parte do campo governista como uma derrota política inequívoca. E, em sentido estrito, foi. Mas é preciso distinguir entre derrotas que sangram e derrotas que ensinam — entre o golpe que enfraquece o adversário e o golpe que, dado cedo demais no relógio eleitoral, oferece ao adversário aquilo de que ele mais precisava: tempo, informação e a quebra de uma série de ilusões que o paralisavam. O episódio Messias é, possivelmente, deste segundo tipo. E é justamente por isso que vale a pena ler o ocorrido não como o início do fim do terceiro mandato Lula, mas como o ponto de inflexão a partir do qual a reeleição de 2026 voltou a ser uma possibilidade material — e não apenas um desejo do campo democrático”.
O que se vê no texto é uma tentativa de utilizar a derrota a favor, pois o articulista rejeita o pior cenário e busca se segurar em uma suposição, a de que o golpe em Lula foi dado cedo demais e que, agora, o presidente teria acordado de suas ilusões paralisantes.
Dificilmente se poderá aceitar a tese de que Lula estivesse iludido, uma vez que se trata de um político experiente. O provável é que o petista confiou demais em sua capacidade de articulação e se deu mal.
Não é pecado acreditar que o episódio seja um ponto de inflexão para a corrida eleitoral, o problema é que o tal golpe, talvez, não tenha sido dado cedo demais.
Lula tem sua imagem ligada ao STF, especificamente a Alexandre de Moraes, que se encontra em uma posição delicada por conta do Master.
Há ainda o caso do INSS, que pode ser explorado contra o petista. Isso não deve ser descartado, pois os editoriais dos grandes jornais deixam claro que a burguesia não quer a reeleição de Lula e vai jogar contra.
Não está dado que Lula vá sair derrotado, ou se vencerá. O fato é que as eleições são uma coisa muito complicada.
A dança das palavras
Fernando Horta lança quatro hipóteses sobre o fracasso de Lula:
1) “Uma aliança tácita – ‘demoníaca’, já que opera nas sombras – entre setores do próprio STF e a direita e extrema-direita, cujo objetivo não declarado é a contenção das investigações em torno do escândalo do Banco Master”.
2) “Internamente judicial. Messias, ao longo do processo, alinhou-se de modo perceptível à ala evangélica do STF e fez sinalizações públicas favoráveis a um conjunto de normas internas de regência do tribunal – propostas que parte considerável do corpo de ministros leu como ameaça ao corporativismo da Corte”.
3) “Erros do próprio indicado. Messias parece ter calculado que o “apoio evangélico” – que é uma carta retórica importante no discurso da direita – funcionaria também como moeda de troca real no Senado”.
4) “Falha do governo: ‘falta de empenho’ na indicação”.
Essas hipóteses apontam para lugar nenhum. O que a maioria da esquerda não consegue entender é que Lula não deveria ter feito as alianças por cima, pois isso enfraqueceu o governo, que teimou em não buscar apoio em sua base popular.
O governo se tornou refém de uma base aliada nada confiável – os próprios acontecimentos se encarregaram de comprovar essa realidade –, e se viu obrigado a se juntar ao STF, que aproveitou a “aliança” para ampliar seu avanço sobre o Congresso.
Não se trata de tentar decifrar quais teriam sido os erros para que se faça uma correção de rota com base em uma ciência análise, ou dizer que “há uma análise equivocada do delineamento da oposição. Este é o ponto mais grave, porque opera no nível do conceito e não apenas da informação. O governo continua lendo a oposição com categorias dos anos 1990 e 2000 — “centro democrático”, “centrão pragmático”, ‘direita liberal’, ‘ala mais moderada do bolsonarismo’”.
Essa complicação disfarçada de método científico não levará a nada
Otimismo sem fim
Apesar da rejeição de Messias e da aprovação da PEC da Dosimetria, essas duas bolas nas costas que o governo recebeu, boa parte da esquerda não perde a esperança e acha que é agora que o jogo começa, faltando poucos minutos para encerrar o segundo tempo.
Será mesmo que se deve acreditar que “Messias, contra todas as aparências da semana passada, pode ter feito ao governo Lula o favor que nenhum aliado conseguiu fazer em quase dois anos: forçá-lo a olhar”.
Muito mais que otimismo, falta ao governo Lula, eventualmente, o tempo necessário para tentar mudar o jogo e, principalmente, tomar as medidas corretas.
Para o petista conseguir vencer as eleições, terá que fazer algo para conquistar a confiança de um eleitorado que o tem enxergado, não sem razão, apenas como parte do sistema.





