Mercenários ligados ao Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos impuseram um bloqueio parcial a Bamako, no Máli, antes da Festa do Sacrifício, na terça-feira (26) e na quarta-feira (27). A ação encareceu carne, reduziu o abastecimento de combustível e dificultou a compra de carneiros por famílias que se preparavam para o festival muçulmano.
A capital do Máli atravessou uma Festa do Sacrifício marcada pela alta dos preços e pela pressão de grupos armados sobre as estradas de acesso à cidade. O bloqueio não fechou completamente Bamako, mas interrompeu rotas, assustou comerciantes e tornou mais difícil a chegada de produtos básicos. A consequência mais sentida pela população foi o aumento do preço dos carneiros, usados no ritual de abate e partilha de carne com familiares, vizinhos e pessoas pobres.
O cerco parcial foi anunciado por combatentes do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), organização ligada à Al-Qaeda. Eles têm atacado comboios de caminhões e veículos que transportam mercadorias para a capital, muitas vezes incendiando cargas. Como o Máli não tem saída para o mar, depende de produtos e combustível vindos por estrada de países costeiros como Senegal e Costa do Marfim. A pressão sobre essas rotas atinge diretamente a economia e o cotidiano da população urbana.
Embora os bloqueios não sejam permanentes, o efeito já aparece nos mercados. Moradores relatam aumento brusco nos preços, especialmente da carne. Um professor de 38 anos, Mountaga Touré, disse ter passado por vários mercados de gado antes de desistir da compra do carneiro. Segundo ele, um animal pequeno que antes custava cerca de 177 dólares passou a ser vendido por 266 dólares ou mais, valor inalcançável para muitas famílias.
Em alguns bairros de Bamako, moradores passaram a substituir o carneiro por carne bovina comprada coletivamente. A solução mostra a tentativa de preservar o aspecto comunitário da festa, mas também evidencia o impacto social da guerra e do bloqueio. A Festa do Sacrifício, um dos momentos religiosos mais importantes do calendário muçulmano, perdeu parte de seu sentido tradicional para famílias que não conseguem comprar o animal a ser repartido.
O combustível também se tornou mais difícil de encontrar. Filas se formaram em postos que ainda mantinham vendas, e o aumento do custo de transporte agravou o preço de outros produtos. A intenção dos mercenários é estrangular economicamente o país e enfraquecer a legitimidade do governo militar maliano, que enfrenta há anos ações de grupos mercenários. A ação é insuficiente para esse objetivo, mas consegue trazer prejuízos à população ao sabotar um festival importante.
Apesar do bloqueio, não houve desabastecimento total de alimentos. Produtos ainda entram na capital porque os grupos armados evitam manter barreiras fixas por muito tempo, temendo reação do Exército do Máli. Ainda assim, o recado político e militar do cerco parcial foi claro: os mercenários falharam em tomar Bamako e derrubar o governo da junta militar, mas ao menos eles conseguem atacar civis desarmados e causar estragos econômicos.





