Em sua coluna mais recente, o jornalista Elio Gaspari tenta diagnosticar o que chama de “problema de comunicação” do governo Lula. Para o articulista da Folha de S.Paulo, o entrave seria a figura do próprio presidente, que ocuparia o espaço público com uma “agenda repetitiva e arcaica”, focada em maus-tratos à “elite”, em vez de exaltar os feitos técnicos de sua gestão, como o novo campus do ITA no Ceará. No entanto, ao focar na forma e no “estilo” de Lula, Gaspari ignora o conteúdo: o problema não é como o governo fala, mas para quem ele governa.
Gaspari lamenta que Lula tenha tratado a inauguração do ITA de forma “perfunctoriamente” para repetir o discurso de que é preciso escolher entre “a ponte e o prato de comida”. Para o colunista, Lula deveria agir como um gerente de marketing de uma multinacional, vendendo estatísticas e sucessos tecnológicos.
O que Gaspari não menciona é que essas “joias da coroa” do ensino público estão loteadas. O Ministério da Educação, de onde sai o fomento para o ITA, é hoje um território de influência direta da Fundação Lemann e de setores do capital financeiro sionista. O discurso “velho” de Lula sobre o pobre é a única coisa que ainda guarda um resquício de conexão com sua base, embora, na prática do governo, seja uma retórica esvaziada pela política de capitulação.
O articulista afirma que os eleitores não digerem estatísticas e que as falas do líder “atropelam as realizações”. O que Gaspari chama de “atropelo” é, na verdade, o reflexo de um governo que não conseguiu avançar um único milímetro na mobilização popular.
Não há “problema de comunicação” que resista a uma política econômica que triplica o preço do gás e atrela os combustíveis ao grande capital internacional. Gaspari chama isso de “falta de sorte” ou “maldição”, mas é uma escolha política: ao manter a Petrobrás sob o controle de interesses capitalistas, o governo Lula abdica de defender o bolso do trabalhador. Nenhuma assessoria de imprensa, por mais moderna que fosse, conseguiria convencer o povo de que a vida melhorou enquanto a fome e os preços continuam sob o controle da Faria Lima.
Ao final, Gaspari aponta que Flávio Bolsonaro se mexe e ganha terreno. Ele atribui isso à “sorte” que Lula teve no passado e que agora teria acabado. A extrema direita cresce porque a política de frente ampla e a dependência do STF para “combater o fascismo” falharam miseravelmente.
O governo Lula transformou-se em uma grande fachada do regime neoliberal, abraçando inimigos como Geraldo Alckmin e figuras sionistas que defendem o “extermínio” da resistência palestina. Ao se recusar a mobilizar a população e ao adotar métodos de censura e repressão judicial, o governo desmoraliza a esquerda e entrega o país de bandeja para o bolsonarismo.





