Política internacional

A esquerda capitula e a direita avança na América Latina

Política de colaboração de classes mostrou-se completamente fracassada

Sob pressão do imperialismo norte-americano e europeu, uma onda reacionária desenvolve-se na América Latina. Governos de direita e extrema direita crescem com apoio do grande capital internacional.

A recente eleição que levou José Antonio Kast à presidência do Chile é mais um passo na política do imperialismo para o continente. Kast, admirador do ditador Augusto Pinochet, tem como centro de sua política a repressão contra o “crime”, às mulheres que realizam aborto, uma política linha-dura contra a imigração. Contudo, o elemento central que une os diversos governo de direita e extrema direita que se estabeleceram no continente, de diversas maneiras, recorrendo muitas vezes ao golpe de Estado, como na Bolívia e Peru, é a política neoliberal radical, de ataques aos trabalhadores.

Na Bolívia, o democrata-cristão Rodrigo Paz, após um golpe contra Evo Morales, que não pôde concorrer, e a destruição de seu antigo partido realizado pelo traidor Luis Arce, chegou à presidência. No Peru, golpes de Estado levaram ao poder o presidente do Parlamento José Jeri, que destituiu a também golpista Dina Boluarte.

Após perseguição à esquerda no Equador, governa a direita liderada por Daniel Noboa. O candidato de direita Nasry Asfura, apoiado por Trump, lidera a apuração em Honduras. A Argentina caiu sob a ditadura de Javier Milei e El Salvador, de Nayib Bukele.

A imprensa capitalista destaca a regressão da chamada “onda rosa”, isto é, o avanço de governos da esquerda progressista no continente no início do século XXI até meados de 2010, com ênfase em críticas à esquerda, como corrupção e o abandono de temas como segurança e outros; para tentar explicar a ascensão de governos cada vez mais direitistas. Naturalmente, essa é uma explicação completamente falsa. Trata-se de dois movimentos simultâneos que explicam a crise da esquerda nesses países:

A política de frente popular, presente na maioria deles, ou seja, uma política de colaboração com a burguesia, que paralisou os governos de esquerda e o movimento operário e, ao mesmo tempo, fortaleceu, seja a direita, seja a extrema direita. De outro lado, o realinhamento da política do imperialismo para o período de crise atual, que exige disciplinar os países de suas zonas de influência.

O fato é que a política de colaboração de classes mostrou-se completamente fracassada. Seus frutos são extremamente amargos para as massas, como no caso do Chile, onde o governo Boric suprimiu a mobilização popular massiva em nome da aliança com a burguesia e o fracasso de seu governo levou a extrema direita fascista ao poder. Essa lição deve ser profundamente assimilada por toda à esquerda em nosso País e no continente.

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