Cerca de 90 mil moradores de Uberlândia foram deixados sem energia elétrica na noite de sábado (23), por volta das 20h, após um problema na Subestação Uberlândia 7. O apagão atingiu bairros dos setores leste, sul e central da cidade, afetando residências, comércios, vias públicas e até um dos principais centros comerciais do município. O fornecimento só foi totalmente restabelecido por volta das 21h.
A interrupção escancarou a fragilidade da estrutura de distribuição de energia em uma cidade do porte de Uberlândia. Ainda que a Cemig tenha informado que equipes foram acionadas após a identificação do problema, a explicação é insuficiente diante da gravidade do episódio. O simples fato de uma falha em uma subestação deixar dezenas de bairros às escuras já evidencia erro operacional, deficiência de prevenção ou falta de capacidade de resposta adequada.
Foram afetados bairros populosos como Morumbi, Tibery, Custódio Pereira, Ipanema, Alvorada, Aclimação, Mansões Aeroporto, Grand Ville, Santa Mônica e Segismundo Pereira, no setor leste. Também houve impacto em parte do São Jorge e de Santa Luzia, no setor sul, além de parte do Nossa Senhora Aparecida, na região central. A dimensão da ocorrência reforça a cobrança por investimentos, manutenção preventiva e explicações claras, e não apenas comunicados genéricos após o dano já estar feito.
A Cemig afirmou que, às 20h38, a maior parte dos consumidores já havia tido o fornecimento normalizado, com recomposição total perto das 21h. Embora a companhia tente apresentar a situação positivamente, ela não explicou por que tantos moradores ficaram sem luz ao mesmo tempo. A empresa também informou que as causas ainda estavam sendo apuradas, mas não apresentou prazo, diagnóstico técnico detalhado ou medida concreta para impedir que o problema volte a ocorrer.
A orientação da companhia para que consumidores evitem elevadores durante apagões e retirem aparelhos da tomada em caso de oscilações também soa insuficiente. Transferir ao cidadão o cuidado com os prejuízos causados por uma instabilidade no serviço busca ocultar a obrigação da concessionária de garantir fornecimento seguro, contínuo e confiável. Moradores e comerciantes não podem ser tratados como responsáveis por se protegerem de uma falha que não deveriam enfrentar.
A Prefeitura de Uberlândia também precisa ser cobrada. Embora a distribuição de energia seja responsabilidade da concessionária, cabe ao poder público fiscalizar, exigir providências e garantir planos de contingência para situações que afetam trânsito, segurança e serviços urbanos. Semáforos apagados, vias escuras e áreas comerciais paralisadas representam risco direto para motoristas, pedestres, consumidores e trabalhadores. Também é papel da prefeitura reestatizar a parcela privatizada da companhia elétrica da cidade, de economia mista, para que esse recurso fundamental atenda aos interesses gerais da população e não aos interesses de uma minoria de rentistas.
A ausência de respostas concretas sobre prevenção, fiscalização e reforço na infraestrutura mostra que o problema não pode ser tratado como episódio isolado ou simples “ocorrência técnica”.
O apagão durou cerca de uma hora. Quando 90 mil pessoas são afetadas por uma falha no fornecimento de energia, o problema deixa de ser apenas técnico e passa a ser também político, administrativo e social. A Cemig precisa explicar exatamente o que falhou, apresentar medidas para evitar novas interrupções e assumir sua responsabilidade. A Prefeitura, por sua vez, deve deixar de atuar apenas depois dos transtornos e finalmente resolver o problema via reestatização e investimento público.
Até a atualização disponível, a Cemig não havia informado qual falha específica atingiu a Subestação Uberlândia 7.



