Universidade Marxista

7 presos políticos assassinados em maio de 1975 nas prisões do Xá

Regime alegou "tentativa de fuga", a oposição denunciou execução em prisões diferentes

Em maio de 1975, sete presos políticos foram assassinados nas prisões da ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi. Eram militantes de oposição que vinham sendo perseguidos pela SAVAK desde os anos 1960. Bijan Jazani, Abbas Sourki, Mohammad Choupanzadeh, Hassan Zia-Zarifi, Mashouf Kalantari, Ahmad Jalil Afshar e Aziz Sarmadi haviam sido torturados durante meses antes de serem julgados, e cumpriam sentenças quando foram assassinados. Segundo as autoridades do regime, teriam sido baleados durante uma tentativa de fuga. Jornais de oposição declararam que foram executados enquanto cumpriam sentenças em prisões diferentes.

A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Os assassinatos cometidos pela SAVAK nos anos 1970 e a escalada repressiva que antecedeu a revolução serão tema de exposição em aula pelo ministrante do curso, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.

A trajetória dos sete militantes assassinados mostra o padrão repressivo do regime ao longo de quase duas décadas. Eles haviam sido presos em julgamento ocorrido em janeiro de 1969, junto a outros militantes, sob acusação de formar uma organização ilegal, armazenar armas e planejar um levante armado. A maior parte dos réus denunciou ter sido torturada pela SAVAK. As denúncias foram confirmadas por observadores internacionais presentes no julgamento.

A tortura documentada no julgamento de 1969

Um correspondente especial enviado a Teerã pelo jornal britânico The Times relatou as declarações de Abbas Sourki, um dos sete posteriormente assassinados. Sourki “foi mantido acordado por 50 horas durante o interrogatório, então espancado a ponto de ser levado a um hospital do exército, onde o interrogatório continuou enquanto estava acamado. Foi sob essas condições que ele assinou uma confissão ditada a ele”.

A advogada norte-americana Assheton, presente como observadora da Anistia Internacional, relatou em seu informe: “era evidente que o réu Shahzad tinha dificuldades auditivas durante o julgamento; segundo rumores, sua audição havia sido prejudicada por descargas elétricas aplicadas em seus ouvidos. Ele foi o primeiro dos seis réus a declarar, no terceiro dia do julgamento, que suas confissões falsas haviam sido obtidas por meio do uso intensivo de tortura”.

A respeito dos demais réus, a advogada acrescentou: “parece que Jazani teve uma garrafa quebrada inserida em seu ânus. Zarifi ficou internado por 12 dias e depois foi amarrado a uma cadeira de ferro com fogo aceso embaixo dela. Parece que essas torturas foram infligidas dez a doze meses antes do início do julgamento”.

A morte de Hekmat-Ju

Um caso paralelo, do mesmo período, mostra o tratamento dispensado pela SAVAK aos presos políticos sob custódia prolongada. Hekmat-Ju, militante do Tudeh preso em julho de 1965 e levado a julgamento em abril de 1966, cumpria pena fora de Teerã quando foi transferido em maio de 1974 ao centro de interrogações conhecido como “Komiteh”, em Teerã. Três semanas depois, a polícia anunciou sua morte por “saúde ruim”. À família não foi permitido ver seu corpo.

O caso Hekmat-Ju lembra outro de 20 anos antes, com o jornalista Karimpour Shirazi, assassinado na prisão em 1954 sob a alegação oficial de “queda da janela”.

Maio de 1975

Os sete militantes assassinados em maio de 1975 cumpriam suas sentenças havia anos. Não havia, portanto, justificativa política imediata para a execução. O regime estava entrando em sua fase final de maior crise, com a oposição interna ainda contida pela repressão, mas com a crise econômica internacional iniciada em 1974 já se fazendo sentir sobre a população iraniana. Era preciso enviar uma mensagem à oposição em formação.

A versão oficial da “tentativa de fuga” foi imediatamente contestada. Para que sete presos políticos cumprindo penas em prisões diferentes tentassem fugir simultaneamente, e fossem todos baleados na mesma operação, seria necessária uma coordenação implausível. A explicação alternativa apresentada pela oposição era simples e politicamente coerente: o regime decidiu eliminar fisicamente um conjunto de militantes que considerava perigosos, e produziu uma cobertura formal para o ato.

A função política dos assassinatos

A eliminação de Jazani em particular tinha valor simbólico. Bijan Jazani era um dos principais teóricos da oposição armada de esquerda no Irã. Sua produção teórica, escrita inclusive nas próprias prisões do Xá e contrabandeada para fora, circulava entre os militantes da resistência. Sua morte buscava decapitar politicamente um setor inteiro da oposição.

O cálculo do regime, no entanto, falhou. A morte dos sete militantes tornou-se uma das expressões mais conhecidas da brutalidade da SAVAK nos últimos anos da ditadura. Suas histórias passaram a circular entre os estudantes, os trabalhadores e os clérigos xiitas que se organizavam contra o regime. A repressão, em vez de paralisar a oposição, contribuía para o seu crescimento.

Quatro anos antes da revolução

Os assassinatos de maio de 1975 ocorreram menos de quatro anos antes da revolução de 1979. Foram parte da escalada repressiva final da ditadura, no mesmo período em que o Xá anunciava a instauração do partido único e declarava abertamente que nenhuma oposição política seria tolerada. Em vez de consolidar o regime, essas medidas marcaram o esgotamento de sua capacidade de operar dentro dos limites mínimos de legalidade exigidos pelos seus próprios aliados imperialistas.

O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

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