Na madrugada de 17 de abril de 1961, cerca de 1.400 exilados cubanos, organizados, financiados e armados pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), desembarcaram na praia de Playa Girón, ao sul da província de Matanzas, Cuba.
A operação foi conduzida pela Brigada 2506, formada por cubanos contra revolucionários treinados em bases na Guatemala e na Nicarágua sob supervisão direta da CIA. A conjuntura era de crescente tensão entre os Estados Unidos e o governo revolucionário cubano.
Dois dias antes da invasão, em 15 de abril, aviões pintados com símbolos da força aérea cubana atacaram aeroportos em Havana, Santiago de Cuba e San Antonio de los Baños.
No dia 17, a brigada desembarcou com o apoio de navios e aviões fornecidos pelos EUA. O plano previa que uma vez estabelecida a cabeça de praia, uma junta provisória exilada seria proclamada e os Estados Unidos reconheceriam oficialmente o novo governo, pressionando a Organização dos Estados Americanos (OEA) a respaldar a ação.
Entretanto, a resistência cubana foi imediata. As Forças Armadas Revolucionárias, com cerca de 20 mil efetivos, e dezenas de milhares de milícias operárias foram mobilizados a partir de 16 de abril, enfrentaram diretamente os invasores.
Os combates mais intensos ocorreram em Playa Larga e Playa Girón. Entre 17 e 19 de abril, tanques, artilharia e aviões T-33 e Sea Fury cubanos atacaram posições da Brigada 2506. Ao todo, cerca de 114 invasores morreram e mais de 1.100 foram capturados. As forças cubanas registraram 176 mortos e aproximadamente 300 feridos
No dia 19 de abril, Fidel Castro dirigiu pessoalmente as operações finais no campo de batalha. A vitória contra a invasão malograda foi decisiva para consolidar o regime revolucionário em Cuba. Em 16 de abril, véspera do desembarque, Fidel Castro declarou o caráter socialista da Revolução Cubana em discurso na capital, diante de mais de um milhão de pessoas.
A invasão da Baía dos Porcos marcou a primeira grande intervenção armada dos Estados Unidos contra a Revolução Cubana. Seu fracasso mostrou os limites da ação militar direta contra o governo revolucionário de Cuba, que mesmo enfrentando o mais severo bloqueio econômico já visto, se mantém sólido, desfrutando de grande autoridade junto à população.


