O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de Pernambuco, Victor Assis, afirmou que a chapa do Partido se apresenta nas eleições com um “programa de luta” voltado aos problemas da classe operária. Durante o ato Rui Presidente, realizado nesta quarta-feira (30), no Sinttel, no Recife, ele concentrou seu discurso na crítica às alianças da esquerda pernambucana com o PSB, na defesa de um salário mínimo de R$8 mil e no combate às privatizações.
No início da fala, Assis apresentou a chapa do PCO em Pernambuco e os candidatos presentes no ato. Também manifestou solidariedade a militantes que, segundo ele, são perseguidos por sua atividade política, entre eles Rui Costa Pimenta e Mailson da Silva Neto.
Ao falar de Rui Costa Pimenta, Assis destacou os processos movidos contra o presidente do PCO e relacionou parte deles à defesa da resistência palestina. Também citou a situação de Mailson, trabalhador da Chesf e candidato do Partido ao Senado.
“Também quero, nesse momento inicial, prestar solidariedade aos companheiros da luta perseguidos pelo Estado e pelo sionismo, a começar pelo próprio companheiro Rui. Ele é vítima de dezenas de processos, sobretudo por parte da Conib, por defender a resistência palestina e por denunciar a podridão do STF.”
‘Pernambuco nunca foi governado pela esquerda’
Assis afirmou que um dos principais papéis da candidatura do PCO é estabelecer uma diferença política clara em relação tanto à direita como aos demais partidos da esquerda.
O candidato criticou a ideia de que o Nordeste seria automaticamente um reduto de governos de esquerda. Para ele, a história política recente de Pernambuco mostra justamente o contrário.
“Existe toda uma propaganda de que o Nordeste seria um reduto eleitoral do lulismo, do petismo. É uma propaganda delirante, exagerada, de que o Nordeste seria progressista e o Sudeste seria fascista. Apesar dela, Pernambuco nunca foi governado pela esquerda. Nunca. Isso se deve em grande medida à própria política da esquerda.”
Assis retomou, então, as eleições estaduais de 2006. Ele criticou a aliança feita pelo PT com o PSB e afirmou que essa política permitiu ao partido de Eduardo Campos ampliar progressivamente seu domínio sobre a política estadual e sobre a Prefeitura do Recife.
“No final das contas, o PT iniciou uma aliança com o PSB, apoiando a candidatura do Eduardo Campos, e desde então o PSB engoliu o PT. Fizeram um acordo para o PT apoiar o PSB no governo do estado e o PSB apoiar o PT na Prefeitura do Recife.”
Na avaliação apresentada pelo candidato, o resultado dessa política foi o enfraquecimento do PT em Pernambuco e sua crescente dependência do PSB.
“Então o saldo da aliança é que o PSB ficou no governo do estado, tomou a Prefeitura do Recife e praticamente vem governando estado e prefeitura ao longo de 20 anos, com pequenas exceções.”
Assis também criticou a situação atual da esquerda institucional no estado. Ele afirmou que setores que se apresentam como mais radicais também evitam um enfrentamento político com o PSB.
“Então a esquerda dita institucional está totalmente a reboque do PSB, e a esquerda que se diz revolucionária não foge disso. Não existe um combate real à política neoliberal, predatória e destruidora do PSB, do PSDB, do MDB, do União Brasil etc.”
O candidato citou como exemplo a apresentação de João Campos como um político popular por setores da esquerda. Para Assis, esse tipo de caracterização ajuda a esconder a ausência de uma oposição efetiva à política do PSB.
Uma candidatura independente dos poderosos
Victor Assis relacionou a situação pernambucana ao que considera um problema mais geral da esquerda brasileira. Como exemplo, mencionou a aliança nacional do PT com Geraldo Alckmin.
Diante disso, defendeu que o PCO apresente uma candidatura independente da burguesia e voltada diretamente à classe operária.
“Diante disso, se coloca de maneira mais que necessária, fundamental, uma candidatura realmente independente, no sentido de ser uma candidatura operária. É uma candidatura que não está buscando agradar os poderosos, nem uma vaga no clube da Madame Satã, do Daniel Vorcaro, nem prestígio junto ao PSB.”
Assis também afirmou que a candidatura do Partido rejeita a política promovida por organizações financiadas por grandes fundações e ONGs e procura concentrar a campanha nas condições de vida dos trabalhadores.
“Não tem nenhum compromisso com o identitarismo, com toda a política de modinha promovida pelas ONGs imperialistas. Está preocupada efetivamente com a classe operária.”
Salário mínimo de R$8 mil
Ao tratar da situação econômica do estado, o candidato destacou a falta de empregos e a dependência de grande parcela da população de programas de transferência de renda e de trabalhos ocasionais.
Assis também criticou os cortes no Bolsa Família. No discurso, afirmou que milhões de beneficiários foram retirados do programa e contrapôs os cortes ao anúncio de aumento no valor do benefício.
“A gente conhece vários casos aqui em Pernambuco: isso desgraçou famílias inteiras, por causa da política de cortes da assistência do Estado. O pessoal vive de Bolsa Família, vive de bico. Emprego de verdade não tem.”
Como uma das reivindicações centrais do programa do PCO, Assis apresentou o salário mínimo de R$ 8 mil.
“Nós defendemos um salário mínimo de R$ 8 mil, um salário mínimo vital. Isso também não é nada demais: a gente está apenas exigindo o que está na Constituição, que o salário dê conta das necessidades mais elementares de um trabalhador e da sua família.”
O candidato também defendeu o combate às privatizações. Citou a situação da Chesf após a privatização da Eletrobras, além da Compesa e do metrô do Recife.
‘Promessa é tudo mentira’
Na parte final do discurso, Assis afirmou que a campanha do PCO não pretende apresentar uma lista de promessas eleitorais. Segundo ele, mesmo políticos bem-intencionados encontram limites nas instituições e no poder econômico.
“Então é isso que a gente vem oferecer: um programa de luta, que não vai ser cheio de promessas, porque promessa é tudo mentira. Primeiro, é mentira porque político burguês é tudo mal-intencionado, então ele não vai fazer nada. Mesmo que fosse bem-intencionado, não ia fazer.”
Assis vinculou essa posição à necessidade de mobilização política dos trabalhadores contra o poder dos bancos e das instituições do Estado. Também atacou o funcionamento da Justiça Eleitoral, que, segundo ele, estabelece condições profundamente desiguais entre os partidos.
“A Justiça Eleitoral proíbe que um partido como o nosso efetivamente participe das eleições, destina bilhões para o União Brasil, por exemplo, fazer a sua campanha, e proíbe você de falar praticamente qualquer coisa na Internet.”
Ao encerrar, o candidato voltou à ideia central de sua intervenção: a campanha eleitoral deve servir como instrumento de organização e luta, e não como simples disputa por cargos.
“Enfim, chegamos aqui com um programa de luta, porque é isso que nós queremos convidar os companheiros a fazer: lutar com a gente, se filiar ao PCO, militar junto com a gente e se juntar nessa luta para pôr abaixo tudo o que está aí, tudo o que impede o povo brasileiro de ter uma vida digna.”



