Líbano

26 anos do dia em que o Hesbolá botou ‘Israel’ para correr

Em 25 de maio de 2000, a resistência libanesa impôs a retirada do exército israelense do sul do país após 22 anos de ocupação

Completaram-se, nesta segunda-feira (25), 26 anos da libertação do sul do Líbano, quando o exército de “Israel” foi obrigado a se retirar de grande parte do território ocupado desde 1978. A data, celebrada no país como Dia da Resistência e da Libertação, marcou uma das maiores derrotas militares sofridas pela entidade sionista desde sua criação.

A ocupação israelense do sul libanês começou com a invasão de 1978 e foi aprofundada em 1982, quando “Israel” avançou ainda mais sobre o território do Líbano. Durante 22 anos, a população da região viveu submetida a tanques, postos de controle, ataques, interrogatórios, prisões, bombardeios e à presença de colaboradores locais do ocupante.

A retirada de 25 de maio de 2000 não ocorreu por meio de acordo, mas sim como resultado direto de anos de luta armada da resistência libanesa, em especial do Hesbolá, que impôs ao exército sionista uma guerra permanente no território ocupado. Por conta disso, a propaganda de que o exército israelense era invencível sofreu um duro golpe diante de uma organização popular que se formou em meio à ocupação.

Durante mais de duas décadas, gerações inteiras no sul do Líbano cresceram sob o barulho de aviões, VANTs, artilharia e veículos militares. A vida cotidiana era marcada por prisões, desaparecimentos, torturas e bombardeios. Famílias inteiras foram expulsas de suas casas, aldeias foram destruídas e milhares de libaneses viveram sob vigilância constante em sua própria terra.

Uma das principais expressões do terror da ocupação sionista era o centro de detenção de Khiam, prisão mantida por forças ligadas a “Israel” no sul do Líbano. O local ficou conhecido pelas denúncias de tortura contra prisioneiros libaneses. Em 25 de maio de 2000, com a fuga das forças ocupantes e de seus colaboradores, os portões de Khiam foram abertos, tornando-se uma das cenas mais importantes da libertação.

A resistência libanesa nasceu desse regime de ocupação. Seus combatentes surgiram das aldeias bombardeadas, das famílias atingidas pelas operações militares israelenses e da recusa da população em aceitar a presença permanente do invasor. A luta do Hesbolá, ao longo dos anos, demonstrou que a superioridade tecnológica e militar de “Israel” podia ser derrotada por uma resistência organizada e enraizada no povo.

As operações contra posições militares israelenses, emboscadas e ataques contra as forças ocupantes minaram progressivamente a capacidade de “Israel” de manter o sul do Líbano sob controle. O custo político e militar da ocupação tornou-se cada vez maior. Em maio de 2000, o exército israelense abandonou posições, retirou soldados e deixou para trás instalações que haviam servido durante anos à dominação do território libanês.

A libertação provocou uma grande mobilização popular. Moradores voltaram às aldeias, famílias atravessaram estradas antes controladas por soldados israelenses e milhares de libaneses ocuparam novamente locais que haviam sido separados do restante do país por décadas. Muitos retornaram a casas destruídas, bairros atingidos por bombardeios e propriedades saqueadas. Mesmo assim, a volta ao território libertado marcou a derrota concreta da ocupação.

A data também consolidou o Hesbolá como uma das principais forças políticas e militares do Líbano e de toda a região. O episódio mostrou aos povos da região que “Israel” podia ser obrigado a recuar pela luta armada. A vitória libanesa de 2000 precedeu outras derrotas sionistas, como a incapacidade de destruir o Hesbolá na guerra de 2006.

A retirada israelense demonstrou que a ocupação não era uma fatalidade e que o imperialismo e seus aliados podiam ser enfrentados por forças nacionais de resistência. Para “Israel”, a derrota no Líbano representou a perda de uma posição militar estratégica e um abalo em sua política de intimidação contra os povos árabes.

A libertação, contudo, não encerrou as agressões israelenses contra o Líbano. “Israel” continuou ocupando áreas, violando a soberania libanesa, realizando ataques e ameaçando o país. A resistência, por sua vez, manteve suas armas e sua organização, apresentando a vitória de 2000 como prova de que a defesa nacional do Líbano depende da força popular armada contra a entidade sionista.

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