O Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares em Miracema do Tocantins na sexta-feira (8), por suspeita de envolvimento em assassinatos. A decisão alcança investigados pela chamada Chacina de Miracema, série de crimes que deixou sete mortos em fevereiro de 2022, após a morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa.
A operação foi executada pela Polícia Civil do Tocantins e pelo Ministério Público estadual, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar. Além das prisões preventivas, houve mandado de afastamento de funções públicas e outras medidas cautelares. A apuração foi conduzida por força-tarefa da Polícia Civil, acompanhada por dez promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.
A sequência de mortes começou depois que o sargento Anamon Rodrigues de Sousa morreu na noite de 4 de fevereiro de 2022, durante ação policial em área apontada como local de criminalidade. Conforme a investigação, Valbiano Alves Marinho teria efetuado disparos contra a equipe policial e morreu horas depois. O inquérito, porém, sustenta que Valbiano foi morto em frente à própria casa, mesmo já rendido e desarmado.
Na madrugada seguinte, homens encapuzados invadiram a Delegacia da Polícia Civil de Miracema do Tocantins e mataram Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e irmão de Valbiano. A força-tarefa concluiu que 16 policiais militares teriam participado dessa ação. Ainda na mesma madrugada, três jovens, Aprigio Feitosa da Luz, Pedro Henrique de Sousa Rodrigues e Gabriel Alves Coelho, foram mortos no loteamento Jardim Buriti. Segundo as investigações, eles não tinham relação com a morte do sargento e teriam sido sequestrados, torturados e executados; um quarto jovem sobreviveu.
A decisão judicial também cita crimes como execuções sumárias, tortura e fraude processual. Os magistrados Marcello Rodrigues de Ataídes, Renata do Nascimento e Silva e Valdemir Braga de Aquino Mendonça entenderam que a liberdade dos investigados representaria risco à ordem pública e à instrução criminal, pela possibilidade de intimidação de testemunhas e destruição de provas. Outro policial investigado recebeu medidas cautelares, sem prisão preventiva.
Em outro ponto da investigação, a decisão mencionou a criação de um grupo de mensagens chamado “Operação Anamon” horas antes das mortes na delegacia. Conforme o documento, o policial apontado como criador do grupo teria participado da mobilização das equipes e permanecido com uma caminhonete registrada por câmeras de segurança no trajeto até a unidade policial.
Os militares se apresentaram no Quartel do Comando-Geral da PM, em Palmas, após acordo entre o Ministério Público e o comando da corporação. A Polícia Militar informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral, presta apoio ao cumprimento das decisões e não compactua com desvios de conduta, embora esse tipo de prática seja comum na corporação. As defesas ainda poderão contestar as acusações no processo, mas a decisão de prisão reforça a gravidade atribuída pela Justiça aos indícios reunidos na investigação.





