Encerrado 2025, é possível afirmar que 2026 dificilmente será um ano de calmaria. No plano internacional, os conflitos em curso tendem a se intensificar: a política de achaque dos EUA contra a Venezuela deve se aprofundar, e os ataques de caráter genocida contra o povo palestino tendem a se renovar. Para além das guerras externas, também viveremos aqui a nossa própria guerra, pois em 2026 o conflito eleitoral será inevitável.
De um lado, estará o petismo, provavelmente mais uma vez encarnado na figura de Lula. Trata-se de uma força visivelmente desgastada, que prometeu muito na última campanha, mas entregou muito pouco ao longo do governo — o que faz com que a defesa eleitoral da gestão seja, no melhor dos cenários, apática e pouco mobilizadora. Do outro lado, estará o campo da extrema-direita, representado por algum bolsonarista ou equivalente, e o lado da direita-extrema, personificada por nomes como Tarcísio de Freitas.
Uma coisa parece certa: essas diferentes versões da direita tendem a sair amplamente vitoriosas, tanto nas disputas pelos governos estaduais quanto nas eleições para o Congresso Nacional. Mesmo que Lula volte a vencer a presidência, a correlação de forças seguirá profundamente desfavorável à esquerda. A direita já concentra muito mais poder do que qualquer setor progressista, e isso se deve, em parte, ao fracasso político do próprio governo Lula.
Essa assimetria de poder, combinada à crescente radicalização da extrema-direita — que já começa inclusive a normalizar abertamente o nazismo — aponta para um cenário de conflito inevitável. Diante disso, a única atitude responsável é se preparar.





