O desfecho do julgamento de Marine Le Pen — líder do partido de extrema-direita francesa Reagrupamento Nacional — será apresentado nesta segunda-feira. Acusada de desvios de verba no Parlamento Europeu, Le Pen poderá ser condenada à inelegibilidade imediata, o que poderia impedi-la de concorrer à presidência em 2027. Além da possível inelegibilidade, ela também pode ser condenada a cinco anos de prisão e a uma multa de 300 mil euros, cerca de 1,87 milhões de reais.
Le Pen, em entrevista ao La Tribune Dimanche, afirmou não estar nervosa com o caso, dizendo que não considera que a inelegibilidade acontecerá. No entanto, também disse que entende que seus apoiadores estejam nervosos e denunciou: “Os juízes têm o poder de definir o destino do nosso partido”, mostrando que não é privilégio do Brasil o controle do regime político através do Poder Judiciário, mas é uma política utilizada pelo imperialismo em todos os países.
Além disso, há um clima de incerteza com relação à presença de outras lideranças do RN na condenação apresentada na segunda-feira. Um aliado do Partido teria afirmado, sobre a condução do processo: “Não sabemos quem estará lá na segunda-feira. Ninguém nos informa nada, ninguém nos consulta. O assunto simplesmente não é discutido”.
O Reagrupamento Nacional marcou uma reunião para este fim de semana, a fim de discutir os passos a serem tomados após a apresentação do veredito.
O futuro político de Le Pen continua bastante incerto. Os aliados mais otimistas contam com a possibilidade de ela ser condenada a menos de 2 anos de inelegibilidade, o que permitira que ela saísse candidata à presidência em 2027. No entanto, a sugestão do Ministério Público francês é que ela seja condenada à inelegibilidade por 5 anos, começando imediatamente após a divulgação do veredito.
Le Pen já afirmou ao jornal Le Figaro que recorrerá da decisão caso seja condenada, o que, embora seja politicamente importante, pode acarretar num segundo julgamento indesejado diante da possibilidade mais otimista de uma condenação a menos de 2 anos de inelegibilidade. No entanto, não recorrer implicaria numa admissão implícita de culpa pelas acusações.
Setores da burguesia imperialista já pressionam o RN no sentido de adotar uma candidatura alternativa à de Le Pen, caso ocorra a condenação, o que implicaria em perda de votos e de chances de vencer as eleições. O nome mais cotado pela imprensa e pelo imperialismo é o de Jordan Bardella, presidente do partido.
Como parte da operação para a retirada da candidatura de Le Pen, a burguesia imperialista francesa realizou, inclusive, pesquisas indicando uma suposta preferência do povo francês pela candidatura de Bardella. Um levantamento feito pelo Ifop-Fiducial deu conta de que 60% dos franceses acreditam que Bardella será candidato em 2027, e 43% gostariam que ele disputasse, número superior ao de Le Pen.
A falência da política dos bancos, representada por Macron na França, levou a um fortalecimento da extrema-direita, que agora ameaça o domínio desse setor mais poderoso do imperialismo nas eleições. É daí que vem a preocupação da burguesia com o partido de Le Pen, o qual está sendo perseguido pelo judiciário francês.
A acusação de corrupção é um expediente tradicional do imperialismo quando este quer promover uma campanha política de perseguição e de difamação diante do público. É muito semelhante ao que foi feito com Donald Trump nos EUA e ao que está sendo feito com Bolsonaro no Brasil. No entanto, é preciso avaliar se essa política dará o resultado esperado. No caso de Trump, tornou-o ainda mais popular diante dos norte-americanos, o que acabou ocasionando sua vitória nas eleições. No caso brasileiro, o bolsonarismo está em processo de intimidação, no entanto, é possível que tudo isso seja revertido no futuro e a candidatura de Bolsonaro apareça com ainda mais força diante da sua perseguição.
É preciso, portanto, compreender o processo contra Le Pen nesse sentido: trata-se de uma operação do imperialismo para se manter no poder.