Genocídio na Palestina

Sionistas de ‘esquerda’ lutam para justificar crimes de ‘Israel’

Grupo afirma ser um absurdo que a juventude celebra a ação do Hamas, ao mesmo tempo em que denuncia o extermínio em marcha na Faixa de Gaza

O sionismo é uma política colonial, fascista. Não existe fascismo de esquerda. Apesar dessa contradição inescapável, um grupo autointitulado “Judeus e Judias Sionistas de Esquerda” publicou um texto intitulado O antissemitismo pandêmico que, resumidamente, defende o imperialismo, diz que o mundo está louco e que quem critica o sionismo não gosta de judeus e é antissemita.

No primeiro parágrafo, lê-se que “dia após dia, nos demos conta, atônitos, que a demência tomou conta do mundo. O desvario, a insanidade, se espalharam e transformaram nosso maltratado planeta num imenso manicômio […] vimos jovens americanos elogiando Bin Laden e acadêmicos das melhores universidades celebrando o Hamas“.

Será que se trata mesmo de “demência”? O que leva um jovem nos Estados Unidos a elogiar Bin Laden ou acadêmicos a aplaudir o Hamas é a crise do imperialismo. Explicamos: tanto Bin Laden quanto o partido palestino são expressões da luta dos povos oprimidos contra a dominação imperialista. São figuras importantes dessa luta, figuras que, com a intensificação do conflito entre “Israel” e Palestina, no dia 7 de outubro de 2023, possuem uma importância cada vez maior, principalmente quando falamos sobre o Hamas.

A crise do imperialismo entra nessa equação no sentido de que ela impede o imperialismo de controlar completamente a sua propaganda em relação a seus inimigos. A luta dos povos oprimidos no Oriente Médio é tão forte que consegue ultrapassar essa barreira, já não restam dúvidas de que Bin Laden – no passado – e o Hamas – no presente – são forças essenciais para a derrota da maior máquina de guerra da história.

A defesa do imperialismo

Cabe notar que tais sionistas de “esquerda” ficaram indignados com os aplausos que o “terrorista” Bin Laden recebeu de jovens norte-americanos, mas não deram um único pio sobre vinte anos de bombardeios de vilas, hospitais, ônibus escolares, casamentos etc. no Afeganistão. Se Bin Laden deve ser considerado como um “terrorista”, como devemos chamar um país que, além dos bombardeios que já citamos, teve a capacidade de – no meio de uma pandemia – bloquear o dinheiro do único hospital afegão que tratava a COVID-19?

O grupo reproduz parte de um texto de autoria de Maria João Marques, jornalista portuguesa, que diz o seguinte:

“Os Estados Unidos e os países ocidentais estão muito longe de serem perfeitos, sabemos disso. Mas é preciso gigante confusão interior e valores muito turvos para considerar que a voz odienta de um terrorista que matou a eito deve ser celebrada, difundida, admirada e validada.”

É um velho truque dizer que “ora, não somos perfeitos, mas não é disso que se trata”. Os Estados Unidos, a mão de ferro que controla o imperialismo, são responsáveis pela destruição da Coreia, do Vietnã, do Iraque, da Iugoslávia, da Síria, do Afeganistão, da Líbia, da Ucrânia – país que lançou em uma guerra por procuração –; pela destruição da economia e bombardeio de inúmeros países no continente africano; e, em última instância, pela destruição de Gaza, pois protege e financia o fascismo sionista.

Do outro lado, temos Bin Laden e o Hamas, que estão travando uma luta incansável pela libertação de seus povos contra essa ditadura sanguinolenta que é o imperialismo, especificamente o norte-americano. Ou seja, é justamente o contrário: é preciso ser muito incauto para não celebrar a ação desses “terroristas”.

Sionista é sempre sionista

No texto, o grupo diz que “em defesa dos jovens [que aplaudiram Bin Laden], poder-se-ia apelar para a ignorância da História. Mas o mesmo argumento não vale para os casos de apologia do Hamas, que muita gente insiste em chamar de ‘resistência palestina’. Chamar o Hamas de resistência não é apenas teimosia, mas um fato. O grupo surgiu em 1987 como uma resposta aos inúmeros massacres, roubos de terras e opressão que os palestinos vêm sofrendo dos sionistas. Atualmente, está sendo responsável por um dos maiores golpes que o Estado nazista de “Israel”, responsável por todos esses massacres e roubos, já sofreu.

E continuam:

“Em universidades, onde até ontem se divulgava o saber, hoje difunde-se o negacionismo. A pseudo-defesa dos palestinos (aqui confundidos com o terrorismo do Hamas) na verdade nada mais é do que um misto de negação do direito de existência de Israel e puro antissemitismo [grifo nosso].”

O direito dos palestinos se defenderem se converte em ‘pseudo-defesa’ e ‘terrorismo’. E o massacre, a limpeza étnica, perpetrados pelo sionismo, se convertem em ‘direito de existência de Israel’. Uma inversão de valores completa.

Só faltou os bebês decapitados

Outra queixa dos sionistas de “esquerda” é a maneira como algumas pessoas trataram as “notícias” sobre as atrocidades dos Hamas:

“Em comunicado, associações de alunos de Harvard culparam Israel pelos assassinatos, estupros e raptos cometidos pelo Hamas […] na Universidade canadense de Alberta a diretora do Sexual Assault Center — criado para receber queixas de abuso sexual e providenciar ajuda às vítimas — assinou uma carta coletiva que negava a prática de violência sexual pelo Hamas no ataque terrorista de 7 de outubro. Isto embora o horror seja conhecido como o ‘pogrom sexual do Hamas’.”

Há vários depoimentos de israelenses que estiveram no meio dos acontecimentos do 7 de outubro e que culparam principalmente o exército sionista pelas mortes. Tanques dispararam contra casas e foguetes foram disparados de helicópteros Apache. Os tais relatos de estupros são, também, completamente forçados, pois contrastam com os depoimentos de mulheres que afirmam e mostram que foram extremamente bem cuidadas pelos combatentes da resistência.

Interessa aos sionistas de “esquerda” pintar os palestinos como terroristas e sanguinários, pois assim escondem ou justificam o bombardeio indiscriminado de hospitais, escolas, o assassinato de jornalistas, médicos e intelectuais palestinos. O número de crianças mortas é espantoso. Um dos maiores crimes que a humanidade já presenciou. Não bastasse isso, milícias sionistas tentam impedir a entrada de ajuda humanitária. Querem matar milhões de pessoas de fome e sede em Gaza, o maior campo de concentração a céu aberto da história.

Ataque à esquerda

Depois de defender os Estados Unidos, principal aliado do sionismo, só faltava aos sionistas de “esquerda” apontar sua metralhadora para a esquerda:

“Antes, o ódio anti-Ocidente vinha da extrema-direita, contra o internacionalismo, o multiculturalismo, a imigração, o feminismo, a liberdade sexual, a laicidade. Agora porém, o ódio ao Ocidente vem também, e talvez sobretudo, da extrema-esquerda, contra o capitalismo, o que parece ‘normal’, contra a democracia representativa, a liberdade de expressão, a família, a religião, as raízes judaico-cristãs.”

É preciso dizer para esse grupo que é justamente a extrema esquerda, especialmente o Partido da Causa Operária (PCO), que luta pela liberdade de expressão. Tanto é que a censura contra aqueles que criticam os crimes dos sionistas, como é o caso do PCO e de Breno Altman, jornalista e militante do Partido dos Trabalhadores (PT), ocorre de maneira desenfreada.

Os “Judeus e Judias Sionistas de Esquerda” recorrem a todo tipo de mentira – como a falsificação da história, de que são os primeiros habitantes da região; ou mesmo que “Israel” seria um refúgio contra o ódio que os judeus sofrem nesse mundo “enlouquecido” – para justificar as atrocidades cometidas pelo Estado nazista de “Israel”, um Estado fascista fundado sobre o apartheid e o genocídio.

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