Cultura popular

PCdoB faz campanha de censura contra o carnaval brasileiro

Para o partido, foliões não podem usar fantasias que sejam "ofensivas"

Atuando como um fiel militante do partido Democrata norte-americano, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) publicou, em suas redes sociais, uma cartilha identitária em que expõe uma espécie de sete pecados capitais do carnaval.

A cartilha refere-se às fantasias que seriam “ofensivas” à religião, etnia, raça, sexualidade, pessoas com deficiência, etc.

Trata-se de uma verdadeira defesa da censura e um insulto ao espírito do Carnaval.

O Carnaval é uma festa concebida para que a população possa extravasar os seus sentimentos sem culpa, querer impedir o cidadão de, pasmem, vestir uma fantasia porque essa seria “ofensiva” é, de certa forma, trabalhar para que o Carnaval simplesmente deixe de existir.

As fantasias de Carnaval também são uma forma bastante eficiente de fazer uma denúncia política, já que durante os dias de festa as emissoras de televisão em geral estão pelas ruas filmando as pessoas e a exposição intensa pode facilmente fazer determinada fantasia “viralisar”.

Daí vem o desejo de controle que a burguesia cada vez mais trabalha para obter sobre aquilo que se veste e se diz nos dias de carnaval.

Neste carnaval, por exemplo, seria muito natural que a essa altura estivessem nas ruas milhares de foliões com fantasias que denunciassem o que está acontecendo em Gaza, retratando da pior forma possível figuras execráveis como o primeiro-ministro do estado genocida de “Israel”, Benjamin Netanyahu.

Portanto, a política de censura ao carnaval é uma política da burguesia que o PCdoB atua para favorecer em desfavor à liberdade do povo e ao espírito da festa de carnaval.

Uma esquerda religiosa

Para o PCdoB, as pessoas não deveriam se fantasiar, pois, segundo a lógica exposta por eles, a fantasia seria sempre uma forma de insulto àquele que está representado na fantasia.

Essa conclusão é absurda, na sua esmagadora maioria as fantasias funcionam como uma forma de homenagem.

Quando em 2001, por exemplo, os Estados Unidos da América, inimigo número um do planeta Terra, foram golpeados pelos militantes de Al Qaeda, era comum ver pelos blocos de carnaval pessoas usando a máscara do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, em uma clara homenagem.

Nesse sentido, também é curioso o fato de que o PCdoB não apenas fez uma cartilha para dizer quais as fantasias que “não pode”, como também uma outra para dizer as fantasias “que pode”…

Então, se as fantasias de Carnaval seriam uma coisa ofensiva e algumas podem enquanto outras não podem, quem está afinal decidindo o que é ou não ofensivo?

Na verdade, a censura às fantasias é de certa forma também uma censura até mesmo à arte, pois impede as pessoas de representarem aquilo que elas sentem.

Ninguém poderia ser impedido de se fantasiar do que quer que seja e nem mesmo ser obrigado a retratar qualquer coisa de forma boa ou ruim, essa é e deveria se manter uma escolha pessoal, qualquer coisa diferente disso é pura e simplesmente censura.

A esquerda identitária caminha a passos largos para tornar se uma espécie de igreja católica medieval, acusando todos e todas que não seguirem os mandamentos da “bíblia identitária” de serem uma espécie de pecadores e criminosos, defendendo inclusive uma espécie de fogueira da inquisição para aqueles que pecarem, uma vez que hoje em dia opinião e liberdade já virou crime e as cadeias brasileiras pouco tem a dever às fogueiras inquisitoriais.

Uma esquerda antipopular

A verdade é que essa esquerda, que está no bolso dos norte-americanos, odeiam e abominam toda e qualquer forma de manifestação popular.

Assim como fazem com o Carnaval, também fazem com o futebol quando criticam os jogadores brasileiros afirmando que não podemos torcer para a seleção brasileira, pois eles não seriam “puros” o suficiente.

Essa é uma esquerda que se diz comunista, mas, na prática, quer fazer uma revolução sem povo. Ou seja, a verdade é pura e simplesmente que essa é uma esquerda que já há muito tempo não deseja fazer revolução nenhuma, mas apenas obter junto ao imperialismo um lugarzinho ao sol para os seus dirigentes.

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