No dia 13 de maio, o portal do racha do PCB, o PCB-RR, Em defesa do comunismo, publicou um artigo intitulado ‘A revolução brasileira será evangélica, ou não será’, assinado por Filipe Bezerra. O artigo trata da composição social brasileira, e presume, pela difusão da religião, que os métodos das igrejas deveriam ser a base para a esquerda. Ignorando, na prática, toda a tradição organizativa do movimento operário e as diferenças elementares entre a organização de uma religião e a do partido revolucionário.
Após fazer alguns apontamentos acerca de como o capitalismo utiliza a religião “como forma de dominação e alienação da classe trabalhadora”, o texto, a partir da colocação de que “precisamos entender que as igrejas evangélicas, sejam elas neo ou Pentecostais, ocuparam um espaço onde nós deveríamos estar”, toma um rumo inusitado.
Filipe afirma que os evangélicos “são extremamente disciplinados – arrisco afirmar, inclusive, que são mais leninistas na sua forma organizativa do que a esquerda brasileira atualmente”.
Apesar de a religião e outras formas organizativas como instituições de caridade, sindicatos etc. poderem adotar um caráter militante, esse caráter não é o de uma militância revolucionária, que trata da construção do partido revolucionário. A relação da burguesia com as igrejas é totalmente diferente da com um partido operário, logo, a disciplina e a organização no geral não podem ser iguais.
Além disso, seria necessário apontar a que setor da esquerda especificamente o autor se refere. De maneira genérica, a colocação serve, inclusive, como uma crítica a seu próprio partido.
A argumentação, então, segue por esse caminho, se aprofundando nele:
“Portanto é dever nosso: a) Estudar sobre a questão, saber o que é Neopentecostal, Pentecostal, pois isso pra [sic] determinar muito as nossas táticas de atuação; b) devemos aprender com eles. Como? Política de finanças, disciplina, atividades que desenvolvem para fazer a agitação e propaganda da igreja, método de abordagem, etc […] Temos que saber e estudar a Bíblia, saber como usa-la para dialogar se maneira que seja mais interessante e compreensível. A luta de classes e a bíblia tem mais semelhança do que a gente imagina.”
Ou seja, a proposta apresentada pelo autor seria a de transformar um partido numa igreja. As finanças do partido revolucionário, sua disciplina e as atividades que desenvolve têm por objetivo um fim completamente diferente da religião. Mesmo considerando o caráter de socialismo primitivo do cristianismo, seu objetivo idealista conforma uma estrutura organizativa diferente da de um partido operário.
A falha no raciocínio fica evidente ao final do parágrafo: os militantes deveriam ser, então, estudiosos da bíblia, e não do marxismo. Para um marxista, todo tipo de conhecimento é útil e deve ser buscado, mas, acima de tudo, está o domínio do próprio marxismo, a tradição organizativa de luta da classe operária.





