Em artigo intitulado A economia, idiota!, publicado pelo Brasil 247, o blogueiro Eduardo Guimarães se mostra entusiasmado com o desempenho econômico do governo Lula e prevê que, em função disso. “a aprovação de Lula começará a crescer com força”. Guimarães não é o único a demonstrar um grande otimismo em seu balanço de um ano do governo Lula: tornou-se comum, entre os chamados blogueiros progressistas, a ideia de que a economia estaria indo muito bem, uma espécie de propaganda eleitoral contra o bolsonarismo.
Há dados concretos para embasar a opinião de Eduardo Guimarães: o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu discretamente, superando as expectativas das agências capitalistas. É, também, natural que aqueles que viveram durante seis anos sob governos golpistas, completamente serviçais ao imperialismo, se sintam aliviados diante de um governo que tenha revertido, ainda que muito moderadamente, a política de desvalorização do salário mínimo e que tenha procurado levar adiante algum tipo de política social.
O erro, no entanto, está em atribuir ao desempenho econômico um valor político que de fato não tem. Em primeiro lugar, não é possível considerar que o crescimento do PIB será suficiente para fazer com que a aprovação do governo decole. Afinal, o desempenho econômico de um país, normalmente, está muito mais relacionado à questões que o governo não controla do que propriamente à política econômica do governo.
Os governos petistas anteriores são a melhor prova dessa tese. Não fosse o chamado boom das commodities, que foi algo exterior ao governo, o Brasil não teria conseguido crescer economicamente como fez durante o período em que Lula e Dilma Rousseff eram presidentes. Não há como prever que o cenário futuro será o mesmo.
A comparação entre os governos petistas é, inclusive, algo que aparece no próprio artigo de Guimarães. Diz ele:
“Exatos 20 anos após o primeiro ano do primeiro governo Lula, esse ano termina com a economia crescendo o triplo do que era previsto pelos analistas, com a inflação crescendo menos do que o teto da meta (4,49% em vez de 4,75%) e com o menor desemprego desde 2014. O terceiro governo Lula termina o primeiro ano melhor do que o primeiro governo em seu primeiro ano e, para 2024, o PAC e o investimento estrangeiro vão surpreender como fizeram PIB, inflação e nível de emprego”.
O erro está justamente em considerar que a mudança entre o primeiro ano do governo e o ano de 2010, quando o crescimento do PIB brasileiro foi de 7,5%, teria sido obra da “genialidade” de Lula. Pelo contrário: já naquela época, o governo tinha muita dificuldade em conseguir o aval do Congresso Nacional para os seus projetos. Não fosse a “sorte” do boom das commodities, que inviabilizaram que a direita partisse para uma ofensiva contra o governo – afinal, a economia ia bem -, o PT dificilmente chegaria ao terceiro mandato presidencial.
Na comparação com 2003, é preciso levar ainda em conta que, embora a burguesia em geral se opusesse aos planos mais ambiciosos do governo, hoje a oposição ao PT é muito mais organizada. Não custa lembrar que, oito dias após a posse de Lula, a direita, contando com a participação de membros da cúpula das Forças Armadas, organizou a invasão das sedes dos Três Poderes, desmoralizando o governo. As tensões entre governo e oposição são, neste terceiro mandato de Lula, muito mais intensas, de modo que um resultado econômico tímido não será suficiente para forjar um crescimento na aprovação “com força”.
Guimarães seria muito mais realista se, ao mesmo tempo em que saudasse o pequeno crescimento econômico, apontasse a quantidade de empresas que estão entrando em falência durante o governo, bem como a guerra que foi a discussão sobre o orçamento de 2024. Fizesse isso, mostraria o óbvio: o governo Lula, ainda que bem intencionado, não é forte. É um governo que está sendo sabotado pela direita, e isso surte um efeito muito negativo na economia.
O desempenho econômico é tão fraco que, no final das contas, não é suficiente para mudar a correlação de forças, como Guimarães dá a entender. É preciso, na verdade, fazer o oposto: mudar a correlação de forças para que, assim, o governo supere a sabotagem e abra o caminho para um crescimento expressivo.





