Ásia

Após golpe eleitoral, milhares bloqueiam estradas no Paquistão

O PTI, partido de Imran Khan, ganhou o maior número de cadeiras mesmo com o golpe nas eleições, fato que resultou imediatamente em mobilizações de rua

Na segunda-feira (12), eclodiram manifestações contra o resultado das eleições fraudulentas do Paquistão. Milhares bloquearam rodovias e também realizaram greves contra o resultado divulgado. A fraude aconteceu, pois o candidato mais popular do país, Imran Khan, do Paquistan Tehreek-e-Insaf , foi derrubado em 2022, preso em 2023 e impedido de participar das eleições em 2024. Nem seu partido pode participar do pleito Apesar disto, os candidatos do partido lançaram-se de forma independente, e foram os que mais ganharam cadeiras no Parlamento do Paquistão. A revolta é uma continuação da luta contra o golpe que começou em 2022.

O PTI conquistou 95 dos 264 assentos. O partido Pakistan Muslim League-Nawaz (PMLN), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif ficou em segundo lugar, com 75 assentos. Isto significa que nenhum partido conquistou a maioria e agora serão necessários diálogos no parlamento para fazer uma coalizão. Além disso, dezenas de distritos estão tendo os resultados eleitorais contestados nos tribunais paquistaneses, algo que tende a ampliar a vitória da direita pró-imperialista.

Mas para além do resultado das eleições é preciso recapitular a história recente do golpe no Paquistão. O primeiro-ministro nacionalista Imran Khan foi derrubado em 2022 por um golpe parlamentar que, na verdade, foi organizado pelos EUA e pelos militares que governam o país ao estilo da América Latina. O país entrou em convulsão com gigantescas manifestações, mas Khan, que as liderava, não clamou pela derrubada do governo. Perdendo a oportunidade, a direita partiu para cima e prendeu Khan em agosto de 2023. Com o pior inimigo preso, começou a repressão ao PTI e que acabou culminando na fraude eleitoral.

O partido mais popular do país foi proibido de participar das eleições. Mas a fraude foi ainda maior, o principal dirigente do PTI, que assumiria o cargo de primeiro-ministro caso o partido vencesse as eleições, foi assassinado uma semana antes do pleito. Além disso, a esposa de Imran Khan também foi presa e ele mesmo foi condenado duas vezes. Houve atentados que mataram dezenas de pessoas e durante as próprias eleições dezenas foram assassinadas. Uma fraude escancarada. Mesmo assim o PTI, atuando semi clandestinamente, ganhou o maior número de cadeiras.

Nessa conjuntura de golpe eleitoral é que começaram as manifestações. Milhares foram às ruas durante o último fim de semana em Laore; dezenas foram presos. Na segunda-feira (12), o PTI organizou mais protestos e uma greve. O PTI também se recusou a aceitar a derrota em dezenas de distritos, alegando manipulação de votos. Os protestos acontecem em todo o país: na província do Baluchistão um porta-voz do governo, Jan Achakzai, pediu aos manifestantes para “mostrarem graça” ao aceitar a derrota e se retirar das rodovias. A polícia, por sua vez, anunciou que agirá com rigor contra aglomerações ilegais e citou uma ordem da Seção 144, uma lei da era colonial que proíbe aglomerações públicas. A polícia, ao longo do dia, atacou com gás lacrimogêneo os protestos.

Vale ressaltar que, apesar da intensa repressão, a luta está dando algumas vitórias: a ativista digital Taiiaba Raja, que foi presa em maio após protestar contra a prisão de Imran Khan, foi agraciada com fiança pela Alta Corte de Laore. Esta é uma demonstração do tamanho da repressão que existe no país para fraudar as eleições. Não bastou a censura nas redes sociais, foi necessário até prender as pessoas. Ao mesmo tempo em que há vitória, há também a repressão: é o caso do comício em Raualpindi onde um total de 62 líderes e trabalhadores do PTI foram registrados pela polícia no domingo (11).

Enquanto isso, a direita discute quem assumirá o governo. São dois partidos que devem se aliar, o PMLN e o PPP. Um líder do primeiro afirmou: “ambos os lados estão interessados em formar uma coalizão, mas até agora não houve avanço. Ambos os partidos querem o cargo de primeiro-ministro”. Já o líder do PPP, Faisal Kareem, afirmou: “nosso partido quer Bilawal [do PPP] como primeiro-ministro”. E ainda pontuou: “ninguém pode formar um governo sem nós”. A divisão dos partidos da direita mostra a complexidade em que se encontra o país.

Um dos medos do PTI é que, dado que seus candidatos foram lançados como independentes, eles traiam o partido ante a pressão da burguesia paquistanesa e do imperialismo. Um dirigente do PTI afirmou: “estamos lutando para mantê-los sob controle”. Já um membro importante do PMLN afirmou que “estamos muito, muito perto de chegar a uma fórmula de compartilhamento de poder. Esta semana é crucial”. Em breve acontecerá uma reunião com diversas lideranças dos partidos na capital do Paquistão, Islamabade.

Ao que tudo indica, o futuro do Paquistão está nas mãos dos trabalhadores. O PTI segue desorientado assim como estava em 2022 durante o golpe de Estado. Agora, com a ampla repressão ao partido, isto deve piorar ainda mais. Os trabalhadores, por sua vez, sentiram o gosto da vitória vencendo o maior número de cadeiras. Resta saber se as manifestações crescerão e derrubarão o regime golpista, assim como aconteceu na Bolívia em 2020.

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