Rio Grande do Sul

Ala golpista da esquerda aproveita catástrofe para atacar o PT

Demonstrando o oportunismo da sua política antipetista e pró-imperialismo, o PSTU "passa pano" para Eduardo Leite e ataca o governo Lula

A catástrofe com as enchentes do Rio Grande do Sul tornou-se campo fértil para oportunistas de todos os tipos. Um setor da esquerda procura utilizar as críticas feitas nas redes sociais como pretexto para pedir a censura de toda a população e aumentar a perseguição na Internet. Enquanto isso, a imprensa burguesa aproveita para atacar o governo federal com mentiras e desinformação, além de fazer um esforço homérico para procurar demonstrar que o problema não é a falta de investimento do governo do Estado em infraestrutura, mas fatores secundários, como a chuva e o suposto “aquecimento global”, ressaltando que não se deve fazer “populismo fiscal” com o dinheiro público para atender às vítimas da catástrofe.

Por outro lado, a esquerda pequeno-burguesa golpista também está aproveitando os acontecimentos para atacar o PT, procurando responsabilizá-lo por algo que é fruto da política neoliberal do governo tucano do Rio Grande do Sul, que cortou o orçamento da defesa civil e do atendimento às vítimas.

O PSTU embarca nessa política com a sua matéria “Não vamos passar o pano para ninguém”, publicada no seu blogue de notícias Opinião Socialista. A autora, Vania Gobetti, afirma que “Tragédia é resultado de 30 anos de desinvestimento, privatizações e passagem da boiada das leis ambientais”. Primeiramente, é preciso observar com bastante atenção a tal da “passagem da boiada das leis ambientais”. Os setores ecologistas dos identitários procuram se utilizar da morte de seres humanos para defenderem a política imperialista de proibir que o Brasil explore as suas próprias riquezas, como ficará demonstrado abaixo.

Gobetti reproduz o resultado de uma pesquisa feita pelo Instituto Quaest, que diz que a população considera que os culpados pelos eventos catastróficos seriam representantes do governo. Para 68% dos pesquisados, o governo estadual tem muita responsabilidade, enquanto 64% consideram que os governos municipais têm muita responsabilidade, e 59% consideram que o Governo Federal têm muita responsabilidade na tragédia. Apenas “30% dos entrevistados avaliam que o que vivemos no estado do Rio Grande do Sul ‘é inevitável’”. O que chama atenção aqui e o que será amplamente explorado pela autora é justamente a culpabilidade atribuída ao Governo Federal.

Ao tratar o verdadeiro responsável pela catástrofe, o senhor Eduardo Leite, a autora demonstra certa dificuldade em compreender qual o real problema político por trás do ocorrido. Para ela, se trata de um problema de “destruir a legislação ambiental do estado”, em conjunto com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e cita algumas das leis modificadas às quais atribui a causa do ocorrido.

O problema, no entanto, não é de legislação ambiental. Fosse assim, não haveria enchentes igualmente prejudiciais ao Estado nos anos 1940 e em outras épocas. A questão diz respeito a um problema político muito maior e mais profundo. A responsabilidade de Leite é devido ao fato de que ele está tomando todo o dinheiro do povo, que vem ao Estado por meio de impostos, e enviando esse dinheiro diretamente para o bolso dos banqueiros. Sempre houve enchentes no estado. O problema é a falta de dinheiro para lidar com a emergência porque esse dinheiro está indo diretamente para o bolso dos bancos.

O central aqui, no entanto, é que o PSTU aproveita o acontecimento para fazer um ataque ao governo Lula. A autora diz: “A responsabilidade do PT que conduziu o país por 15 anos nestas últimas décadas, porém, também é imensa”. Segundo ela, “A infraestrutura necessária para a prevenção de desastres está sucateada devido às sucessivas leis de Responsabilidade Fiscal (e do mais recente Arcabouço Fiscal), fazendo com que o orçamento federal para o setor tenha sido o menor em 14 anos, sendo que 43% do orçamento geral foi destinado para o pagamento da dívida pública, principalmente para os banqueiros”. Embora isso seja verdade, é evidente que o governo do PT incorre nessa política por fraqueza e por não conseguir impor a sua própria política (a de assistência social e desenvolvimento nacional), graças ao domínio da burguesia e da direita no Legislativo e até no seu quadro de Ministros.

No entanto, a entrega do patrimônio público aos banqueiros é a política natural de Eduardo Leite e o PSTU não menciona isso ao falar sobre o governador, o que mostra que, apesar de dizer no título da matéria que não está fazendo, está “passando o pano” para o PSDB.

Além disso, afirma que o Governo Federal “continua investindo nos setores que são os principais responsáveis pelo aquecimento que fez do ano de 2023 o mais quente da história”. Que aquecimento seria esse? O tal do “aquecimento global”, conceito altamente controverso no meio científico e totalmente carente de provas e que não tem nenhuma relação com o que acontece no Rio Grande do Sul.

A jogada fundamental da articulista se revela na frase seguinte: “a bola da vez exploratória é a foz do Amazonas, tendo o governo e o presidente da Petrobras pressionando o Ibama para a liberação da licença ambiental”. Ou seja, a causa das enchentes é a exploração do petróleo no meio do oceano na Região Norte do país, a cerca de quatro mil quilômetros de distância do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma ideia totalmente absurda e descabida. É colocada aí simplesmente para divulgar a política de não-exploração do petróleo nacional em prol do imperialismo e das petroleiras estrangeiras.

A desfaçatez do PSTU de utilizar uma tragédia como essa para propagar uma política criminosa como a de procurar impedir a exploração do petróleo em um país com mais da metade da população vivendo em situação de pobreza é algo que impressiona. A demagogia ambiental visa unicamente a sabotagem da economia de países atrasados como o Brasil. Com o agravante de que o país tem, potencialmente, uma das maiores reservas de petróleo no mundo. O PSTU, mais uma vez, acertou em cheio qual a política do Tio Sam.

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