Uma vez mais, o Partido Comunista da Venezuela (PCV), por meio de seu portal Tribuna Popular, saiu ao ataque contra o governo nacionalista de Nicolás Maduro. Não por acaso, a agremiação decidiu fazê-lo no momento em que se erguem novas sanções contra o país latino-americano.
O texto O Rei está nu na Venezuela, traduzido pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), consiste, do início ao fim, em uma série de acusações infundadas que buscam responsabilizar o presidente Nicolás Maduro por todos os problemas no país. Literalmente todos.
A vontade de difamar o governo chavista é tanta que, logo no início, o PCV critica o fato de não haver mulheres disputando o cargo de presidente da República Bolivariana:
“O processo para eleger o novo Presidente da República (só há homens na corrida eleitoral) acelerou dramaticamente a tendência cada vez mais autoritária, abusiva e violadora dos direitos sociais e políticos do povo venezuelano.”
Ora, mas teria Maduro proibido mulheres de participar? Teria ele exigido um nível mínimo de testosterona para que alguém registrasse sua candidatura?
É claro que não. O fato de ter ou não mulheres na disputa nada tem a ver com o governo, mas é um elemento a mais que o PCV utiliza para fazer sua campanha de que o regime venezuelano seria o pior e mais retrógrado do mundo.
Para sermos justos, o PCV não está tão preocupado com “as mulheres” em si. Ele está preocupado com uma mulher específica: Corina Yoris, que não conseguiu registrar sua candidatura, deixando o PCV inconformado. Mas Corina Yoris não é uma “mulher”: é, antes de tudo, uma funcionária do grande capital, apoiada pelos grandes bancos para tentar colocar a Venezuela nos trilhos do neoliberalismo.
É por a Javier Milei de saias não poder concorrer às eleições presidenciais que o PCV fala em tendência “autoritária, abusiva e violadora dos direitos sociais“. Trata-se, contudo, de mais uma calúnia. A oposição venezuelana não foi impedida de se candidatar. Ela apenas não teve a capacidade de se registrar a tempo.
Em meio a essas e outras tantas mentiras e distorções, o PCV declara abertamente que o governo venezuelano é o seu maior alvo:
“Neste momento, a tarefa imediata é derrotar as intenções do Governo-PSUV de estabelecer uma tirania disfarçada de falsa democracia; abrir caminho ao pleno exercício dos direitos democráticos do povo e promover as lutas em melhores condições.”
O problema disso tudo não é apenas que o PCV baseia sua posição em uma série de mentiras. É que as mentiras servem para ocultar o verdadeiro motivo das contradições da sociedade venezuelana. Servem para ocultar o que impede que o país se desenvolva e por que a oposição se queixa tanto da “tirania” do regime.
O PCV é incapaz de admitir que o imperialismo exerce uma enorme pressão sobre o povo e sobre o próprio regime venezuelano – pressão que pode ser auferida de forma muito concreta por meio das sanções econômicas.
A agremiação decide fechar os olhos para o fato de que o país mais poderoso e mais criminoso do planeta quer abocanhar as maiores reservas de petróleo do mundo. Ao invés disso, clama:
“É preciso derrotar o Governo antioperário e autoritário.”
Ao se calar diante da pressão do imperialismo e ao promover figuras nefastas como Corina Yoris, a única coisa que o PCV conseguirá, caso ajude na derrubada do governo, é o estabelecimento de um regime completamente servil ao imperialismo.





