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Frente PSOL-MBL

Viva Che! O “macho alfa” que libertou Cuba do imperialismo

A campanha contra o revolucionário cubano é reacionária ideologicamente e ainda é parte do atual ataque do imperialismo ao governo de Cuba e por isso deve ser denunciada


A política do cancelamento é reacionária por si só, ela se coloca como inimiga aberta da liberdade de expressão, um direito democrático fundamental. Trata-se de uma defesa da ditadura do Estado e das próprias empresas da burguesia, visto que ações de censura por parte do Judiciário ou de empresas como FaceBook e Twitter são amplamente defendias por parte da esquerda.

O cancelamento tem sido usado para atacar heróis históricos, sejam da formação das nações, como Pedro Álvares Cabral, ou revolucionários como Che Guevara. Este foi o último alvo do cancelamento após o relançamento da história em quadrinhos de Jon Lee Anderson que conta a história o guerrilheiro argentino que libertou, ao lado de Fidel Castro, a ilha de Cuba. Aqui o cancelamento se torna não só reacionário como abertamente contra revolucionário.

O autor foi entrevistado pelo Globo e comenta como a recepção da juventude mudou da década de 1990, quando foi lançado o quadrinho, para os dias de hoje. Ele disse: “Nos últimos anos, foi interessante ver esse tipo de política identitária entrando nos debate sobre Che. Outro dia, me espantei quando um jovem me entrevistou e só lhe interessava saber se Che era um assassino, um homofóbico e um racista.” O próprio autor comenta também que as piores acusações contra Che “são de antes de sua formação política: De fato, há certas opiniões sobre raça e sobre gays atribuídas a Che, mas elas foram feitas quando ele era adolescente. Como todo mundo, ele é uma figura que evoluiu com o tempo, e esses comentários deixaram de representá-lo depois.”

Mas entrar no debate identitário em si é um erro, Che Guevara é uma das figuras mais importantes no século XX na América Latina, assim como os outros principais revolucionários cubanos, Fidel Castro, Raul Castro, Camilo Cienfuegos, Frank País. Foram esses homens, com destaque para Fidel, que dirigiram a única revolução socialista de sucesso da segunda metade do século XX no quintal do maior império da história da humanidade. Uma revolução tão profunda que resiste após 60 anos. A Revolução Cubana, nesse sentido, é uma das maiores provas de vitória do socialismo; em muitos aspectos Cuba é o melhor pais do continente americano, mesmo figurando entre os mais pobres. O ataque identitário aos revolucionários, portanto, é muito reacionário.

O interessante é que o que seria supostamente da esquerda, é um discurso que provém também da direita. O fascista do MBL, Kim Kataguiri, publicou um artigo no sítio do IREE, subsidiário da CIA no Brasil, intitulado: “O símbolo da esquerda racista, elitista e homofóbica”. As acusações de racismo são absurdas dado que o negro foi linha de frente na libertação de Cuba e provavelmente o negro cubano está na melhor situação possível em todo o planeta. A Revolução Cubana é uma grande prova de que os problemas do negro só podem ser de fato resolvidos por meio da revolução socialista. Sobre as mulheres ninguém nem ousa caluniar Che Guevara. A polêmica maior levantada é sobre os LGBTs.

De acordo com Kim Kataguiri: “Se você é do movimento LGBT e defende igualdade de direitos para todos, Che Guevara não é um exemplo a ser seguido. Na ditadura cubana, milhares de gays foram perseguidos e enviados para campos de trabalho forçado para serem “curados”. Pois é, Che Guevara acreditava em cura gay, e não é a tal cura que dizem ser defendida pela bancada evangélica, com psicólogos, é cura com tortura e porrada, ao melhor estilo revolucionário.” Aqui existem as tradicionais calúnias contra a Revolução Cubana, não é possível levar nada a sério sobre o que diz o fascista do MBL. A única realidade é que, ao contrário do problema da mulher e do negro, que tiveram um enorme avanço com a revolução, a questão LGBT não passou pelo mesmo. Mas o próprio fato de isso ser o ponto de discussão mostra como Cuba está décadas à frente das demais nações latino-americanas onde existe o problema do negro, da mulher e do LGBT, além, principalmente, do problema da classe operária.

O curioso é que nessa questão que se faz a ponte entre a direita fascista e a esquerda, como o caso do ex-deputado Jean Wyllys. Sua opinião foi expressa em uma entrevista a Folha de São Paulo: “Che Guevara, segundo Jean Wyllys: ‘o macho alfa da revolução cubana’”. Nas palavras de Jean: “Che Guevara é o macho alfa da revolução socialista. É inegável seu papel na condução da revolução, mas Guevara foi muito ruim para os homossexuais, que foram para o paredão em Cuba. Ele está associado a um espaço da sociabilidade heterossexual masculina”. Aqui, por ser uma figura de esquerda, os argumentos identitários ficam até apagados, mas não deixam de ser reacionários. O que seria o macho alfa da revolução? Seriam também Robespierre, Lênin e Mao Tse Tung machos alfa? Nesse sentido, as revoluções precisam de machos alfa? É uma tese muito extravagante que, na verdade, só serve para atacar os revolucionários.

De acordo com Jean Wyllys, o problema do revolucionário seria a “sociabilidade heterossexual masculina” um conceito tão abstrato que é difícil de compreender. Aqui se expressa uma política também reacionária de ataque à masculinidade, como se ela precisasse ser combatida pela feminilidade. Para derrotar a ditadura de Batista, os guerrilheiros precisaram formar uma tropa composta majoritariamente por homens heterossexuais, como em quase todos os confrontos armados. Havia mulheres também no confronto, mas em minoria, como costumam existir em situações revolucionárias. O mesmo vale por exemplo para o Exército Vermelho, que funcionou em dois momentos como vanguarda da revolução mundial, após a Revolução de Outubro e durante a Segunda Guerra Mundial na luta contra os nazistas.

A ‘sociabilidade heterossexual masculina’ não impediu o Exército Vermelho de travar uma guerra revolucionária contra o nazismo. E por sua vez a principal milícia nazista, antes da criação da SS, a SA era liderada por um homossexual assumido, Ernst Röhm. Essa milícia era composta em parte por homossexuais, algo que combatia a “sociabilidade heterossexual”, ela também era a força mais reacionária de toda a Europa durante a década de 1930 e levou a ditadura nazista ao poder, que assassinou dezenas se não centenas de milhares de LGBTs. A Revolução Cubana, no entanto, por ser progressista, levou ao ganho de direitos ao longo prazo para a população LGBT.

O embasamento para o cancelamento portanto pode ser muito questionado, mas como dito acima, o pior é o método em si. O ataque a um dos ídolos da juventude que inspira em todo o planeta à mobilização popular e a esperança de que é possível derrotar o imperialismo até mesmo nas piores condições é extremamente reacionário. Basta ver que é proferido pelo MBL e também pela esquerda identitária, ambos ligados aos EUA. O interessante é que Cuba trava uma luta até os dias de hoje contra o imperialismo dos EUA. Essa campanha, portanto, não é reacionária só no aspecto ideológico, ela tem uma teor político muito concreto, faz parte da campanha pela derrubada do regime revolucionário de Cuba. Por isso ela deve ser denunciada. Che Guevara deve ser lembrado como Fidel Castro, um homem que dedicou a sua vida a libertação de toda a humanidade.

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