Com a operação de remoção dos garimpeiros das terras Yanomami em Roraima, ficaram explícitos os descasos de diversos governos. Além da política genocida intencional do governo Bolsonaro de exterminar os índios, a situação desses povos originários mostra que o problema é complexo e de fato vem se desenvolvendo há muito tempo.
Existem também os ataques das Organizações Não Governamentais (ONGs), como a Survival Internacional, aos garimpeiros que, apesar da atividade ilegal de extração dos minérios, desmatamento e poluição dos rios, são operários e muitos dos quais são índios, o que revela o tamanho da tragédia provocada pelo abandono do Estado burguês, o qual quer mesmo é uma ingerência internacional na área para sugar nossas riquezas.
Fato é que o desmatamento na região não é uma responsabilidade dos garimpeiros, pois trata-se de um grupo muito minoritário quando comparado, por exemplo, às empresas de extração de madeira. A culpa é, fundamentalmente, da burguesia e do imperialismo.
A operação de remoção dos garimpeiros pelo governo federal contou com a participação do IBAMA, apoio da FUNAI e Força Nacional. O governo Lula precisou agir na região e acertou ao socorrer os índios imediatamente, mas os garimpeiros, colocados como únicos culpados, precisam ser socorridos com outro projeto social que contemple essa parcela de trabalhadores.
A ONG Survival Internacional considera os garimpeiros criminosos. Essa organização está no Brasil desde 1953, segundo ela, trabalhando ao lado dos índios. Mas onde ela estava quando os Ianomâmi começaram a definhar de fome, com problemas de saúde e total abandono na extensa área de reserva indígena? O que essa e outras ONGs desejam é a privatização dessas áreas, travando o desenvolvimento econômico na região a despeito de preservação ambiental, sem sequer socorrer os índios em questões básicas.
O crime do governo Bolsonaro é evidente e explícito. Ele já vinha atacando os índios no parlamento desde os anos 90 e colocou em prática agora. Porém, não devemos fechar os olhos para a pouca ação dos governos anteriores.
Sarah Shenker, coordenadora da Suvival Internacional, uma organização aliada ao imperialismo no projeto de deixar esses índios viverem eternamente na “pré-história”, disse que “essa situação catastrófica foi em parte orquestrada pelo ex-presidente Bolsonaro e seus aliados. Ele encorajou a invasão de garimpeiros e até mesmo negou a entrada de equipes médicas no território quando a escala da crise humanitária já estava clara. Agora, além da urgente remoção dos garimpeiros, um plano de assistência intensiva à saúde indígena é necessário. E vai ser preciso verdadeira vontade política para desmantelar e levar à justiça a rede criminosa que envolve também o narcotráfico que passou a ocupar a região e a aterrorizar as comunidades yanomami”.
A política da ONG é culpar apenas os garimpeiros, deixá-los morrer de fome, mas há muito mais podridão praticada pela burguesia imperialista. Segundo denúncia do Diário Causa Operária, “A imprensa imperialista burguesa quase que sublinha o avanço do “garimpo ilegal” dizendo que foi de 46% no ano passado, dizendo que foi “a maior devastação da história” brasileira. Nenhuma linha sobre a devastação que o imperialismo fez para conseguir ouro para colocar no BIS, banco central dos bancos centrais e forçar o mundo a se submeter ao dólar”.
É preciso implantar projetos que contemplem os antigos garimpeiros, que são trabalhadores, e dar atenção e suporte aos Ianomâmi, que devem gerir sua vida sem interferência alguma de ONG imperialista, como essa Survival Internacional.
A farsa da destruição realizada pelo garimpo na Terra Ianomâmi


