Censura, não!

Só a liberdade de expressão pode combater a mentira

Afirmar que a internet é “terra de ninguém”, além de ser falso, abre caminho para que "alguém" (o Estado burguês) assuma o controle do que pode ser dito

Censura

Sempre tem aquela pessoa que antes de atacar uma determinada coisa primeiro a ‘defende’, como Luiz Cláudio Romanelli fez em seu artigo “A internet não pode ser tóxica”, publicada no dia 3 no portal Brasil 247.

No começo da matéria o autor se dedica a defender a liberdade de expressão, cita a Declaração Universal dos Direitos Humanos que diz que “todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”.

Cita também a Constituição brasileira, que afirma que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, que “vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

Romanelli diz que resgatou esses princípios para reforçar sua ampla e irrestrita crença no direito à livre expressão, sem qualquer tipo de censura” para logo em seguida vir com a famosa ressalva “Isso não quer dizer que concorde com tudo…”. Este é a regra.

O autor da matéria afirma que A internet virou uma terra de ninguém e as redes sociais se converteram em plataformas de disseminação da desinformação, o que não é verdade. O que ocorre é exatamente o contrário.

A internet combate a mentira

Podemos usar os eventos de 2013 para exemplificar o porquê de a burguesia estar tão interessada em censurar a internet usando a desculpa de combater as ‘fake news’.

A imprensa burguesa cansou de repercutir a versão da polícia e do governo sobre os fatos. Houve casos, por exemplo, de um manifestante ter sido acusado de atirar um coquetel molotov na polícia que utilizou o pretexto para reprimir ainda mais violentamente o protesto.

Imediatamente surgiram na internet fotos do rapaz se apoiando com as duas mãos na grade, não tinha como atirar nada, além de se ver o rastro do artefato passando sobre sua cabeça. O que indica que o coquetel foi atirado de dentro da multidão.

Outros vídeos foram aparecendo nas redes sociais e ficou claro que o coquetel molotov foi atira pelos P2, policiais infiltrados na manifestação. Ou seja, a mentira foi desfeita.

O monopólio da mentira

Na internet se pôde ver a verdade, a polícia batendo indiscriminadamente em pessoas totalmente pacíficas; policiais atirando bombas de gás lacrimogênio dentro de apartamentos, dentro de bares, ou lugares fechados, onde as pessoas não teriam como respirar. Viu-se policiais escondidos quebrando os vidros de uma viatura para então culpar os manifestantes.

São essas coisas que incomodam a burguesia. A grande imprensa, que mentia ou acobertava os fatos, já não tem o monopólio da informação, não tem como impedir que a verdade apareça. Todo o movimento está sendo feito para censurar a internet, para que as possas não possam postar nada com medo de terem suas contas bloqueadas, processadas ou até mesmo presas.

Muitos vão alegar que existem grupos na internet que divulgam mentiras, mas a mentira não deixará de existir se bloquearem as redes sociais. Há também quem diga que os disparos massivos de mensagens derrotou Haddad contra Bolsonaro, o que é falso. Bolsonaro venceu porque a burguesia, mentindo descaradamente nos jornais, nas televisões, conseguiram prender Lula.

A culpa é das pessoas

É estranha a matéria porque dá a entender que as pessoas são completamente manipuláveis, fala em humanidade escolheu o caminho da idiotização coletiva, “perda da capacidade intelectual dos indivíduos”, “pessoas aceitam o comportamento imposto pela mídia”. O que só nos pode levar a uma conclusão: as pessoas precisam ser tuteladas. E quem vai nos tutelar, o Judiciário? Alexandre de Moraes? Teríamos de fazer um enorme esforço para aceitar que essas pessoas e instituições têm alguma capacidade ou autoridade para fazê-lo.

Será que devemos mesmo acreditar que existe um Congresso, ainda mais este que temos, está apto a dizer o que as devem ou não postar em suas redes sociais? Não faz sentido.

Romanelli diz a atual lei brasileira é a pior do mundo no enfrentamento das fake news espalhadas pela internet. Ocorre que não ninguém está interessado em combater desinformação, essa é que é a fraude, é um golpe. Os grandes veículos de comunicação praticamente vivem da mentira, de acobertar fatos, de vender versões. A Rede Globo chegou como a ser a maior empresa de comunicação no Brasil? Apoiando a Ditadura militar, entrando em acordo com o regime, escondendo a verdade da população.

O autor conclui seu texto dizendo que “regulamentar as redes e a internet não é promover censura. No meu entendimento é a forma mais eficaz e correta para tornar o mundo digital, que está definitivamente inserido nas nossas vidas, um ambiente menos tóxico. Esse controle implica em punir quem cria fake news e em estabelecer mais responsabilidades aos provedores que não impedem a disseminação das mensagens falsas e desinformação. Não adianta querer colocar a culpa nas pessoas que não conseguem controlar o que veem.

Lamentamos informar, mas, sim, estão promovendo a censura e censurar tem o propósito de impedir que a verdade seja dita.

O Estado burguês não vai punir quem cria ‘fake news’, essa palavra é apenas um bicho-papão que inventaram para assombrar a classe média que, com medo, aceitará a ‘proteção do Estado’.

Talvez as pessoas não consigam ‘controlar o que veem’, mas não cabe a ninguém impedir que vejam nada. Os indivíduos têm que ter liberdade, assumindo todos os riscos e não permitindo que ninguém tente controlar o que vemos, pois o estrago será infinitamente maior.

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