Nova carteira de identidade

“RG transfóbico” e as futilidades da esquerda identitária

As preocupação de uma esquerda que perdeu completamente a orientação política

O portal Esquerda Diário, ligado ao MRT, publicou no último dia 1º de dezembro um artigo chamado “Governo Lula mantém RG transfóbico bolsonarista que exige nome morto e declaração de ‘sexo biológico'”.

O grupo aproveita a apresentação da nova carteira de identidade para atacar o governo, no sentido de Lula igual ao bolsonarismo. Vejamos o porquê da indignação do Esquerda Diário:

“Apesar das promessas amplamente aplaudidas pela comunidade trans, o governo de frente ampla agora vai contra o prometido e anuncia que o novo RG terá o campo ‘sexo’ e a distinção entre nome social e nome do registro civil. Essa medida foi publicada no Diário Oficial da União com um decreto que estabelece as diretrizes da Carteira Nacional de Identidade (CIN).”

Segundo o MRT, seria “bolsonarismo” do governo ter no RG o campo sexo e a distinção entre nome social e nome contido no registro civil.

Sobre o manter o campo sexo, o MRT afirma que: “representa a negação do gênero autodeclarado e a manutenção da expulsão de pessoas trans dos espaços, como uma necessidade básica humana do banheiro.” Sobre isso, é importante dizer duas coisas. O que os identitários querem dizer, ao negar o “sexo” e falar em “gênero”, é que as pessoas seriam aquilo que elas acreditam ser. Ou seja, a pessoa não nasce homem ou mulher, o que quer dizer que o aparelho reprodutor biológico não teria nenhuma importância. Algo completamente anticientífico e uma discussão restrita a minúsculos meios universitários. O MRT quer que o governo Lula simplesmente adote uma posição, primeiro que não é nem um pouco popular, segundo que sequer tem sentido do ponto de vista científico. E no final das contas, é apenas uma palavra.

No caso do aparecimento dos dois nomes, o MRT afirma que: “A existência do nome de registro na carteira de identidade zomba do direito ao próprio nome das pessoas trans, travestis e não binárias.” Essa concepção também mostra que os grupos da esquerda identitária vivem num mundo paralelo. O MRT quer que o governo adote um RG que não aparece o nome de registro da pessoa. Podemos achar isso correto ou não, mas a pergunta que qualquer pessoa séria deveria fazer é: “qual governo do mundo daria a possibilidade de pessoas se registrarem com qualquer nome?” Nenhum! Do ponto de vista das próprias normas de segurança de um Estado burguês, é impensável uma possibilidade dessas.

Mas então qual seria a solução? O MRT cita o problema, mas como está apegado a futilidades e não a uma luta real pelos direitos das pessoas, o artigo não consegue formular uma política concreta.

“Para terem direito ao próprio nome, a única alternativa a esses setores seria pagar 1500 reais para a retificação do documento, realidade distante da maioria que será obrigada a enfrentar a transfobia do documento.”

Bastaria conhecer o bê-a-bá da política para saber que o problema não é acusar o governo de ter um “RG transfóbico”, mas reivindicar que o direito de trocar o nome seja simples. Não custe 1.500 reais, de preferência não custe nada. Que o Estado capitalista não deve se meter na vida das pessoas. Se uma pessoa – trans ou não – quer trocar de nome, que seja algo relativamente simples de se fazer.

Eis uma reivindicação concreta e não uma campanha identitária de “lacradores” histéricos.

Essa política do MRT mostra que a esquerda pequeno-burguesa, totalmente dominada pelo identitarismo, trocou a política por uma discussão de futilidades.

A preocupação com coisas fúteis é tão grande que eles acreditam que vão fazer campanha contra o governo acusando Lula de fazer “RG transfóbico”, como se a maioria da população estivesse realmente preocupada com isso. Defender os direitos de determinadas minorias não significa impor para o resto da população determinadas ideias e costumes, são coisas muito diferentes. O MRT está tão fora da realidade que nem percebe que sua política não diz respeito à maioria do povo.

O problema essencial dessa futilidade é o seguidismo servil à política do imperialismo norte-americano. É de lá que vêm as ideias identitárias cujo objetivo não é defender nenhuma minoria.

Tanto que o mais escandaloso do novo RG, para os olhares atentos, é o uso do inglês nos campos de preenchimento. Todos eles aparecem em português e inglês. Mas o Brasil não tem dois idiomas oficiais, menos ainda o inglês é um deles. Por que o governo coloca esse idioma num documento oficial interno?

Isso, sim, é escandaloso. Mas o MRT e os identitários, como grandes admiradores das ideias norte-americanas, nem acharam esquisito.

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