Demagogia golpista

Rede Globo “antirracista”?

Imprensa burguesa imperialista quer chamar o povo brasileiro e a esquerda de racistas, enquanto defende o esmagamento de todos os trabalhadores do mundo

Na última sexta-feira, dia 15 de setembro, o jornal O Globo publicou em seu portal uma coluna intitulada “Racismo escancarado”, assinada pela jornalista Flávia Oliveira. A matéria, de política identitária, busca apresentar um racismo geral, uma falta de representação no governo Lula, e levar adiante a campanha imperialista pela ministra negra no Supremo Tribunal Federal, instituição golpista e antidemocrática. Vejamos os argumentos e a linha política apresentada.

“Duas décadas atrás, na esteira da Conferência Mundial contra a Discriminação Racial, em Durban (África do Sul), um conjunto de organizações da sociedade civil, sob protagonismo do movimento de mulheres negras, pôs na rua a campanha ‘Onde você guarda o seu racismo’. Até o lançamento, em 2004, a iniciativa colheu, em espaços públicos do Rio de Janeiro, três centenas de depoimentos, transformados em anúncios de TV, spots para rádios, outdoors, cartazes. A enquete tinha a intenção de tirar o véu da democracia racial e provocar brasileiros e brasileiras sobre o preconceito que levavam. Afinal, só guarda quem tem” (grifos nossos).

Aqui, logo na introdução, alguns pontos precisam ser ressaltados: por organizações da sociedade civil, o que se quer dizer é, organizações da burguesia, destacadamente da burguesia imperialista, as chamadas ONGs. Não se trata do movimento popular, sindical, de luta dos explorados, mas de organizações mantidas e coordenadas justamente pelos maiores responsáveis por toda a exploração e opressão no planeta. Tal fato se demonstra no trecho destacado: “anúncios de TV, spots para rádios, outdoors”. Ora, que movimento popular tem direito e dinheiro para anúncios na televisão, no rádio, e campanha de outdoors? Um outdoor ou outro, quiçá, algum sindicato coloque de maneira esporádica, um tanto dispersa e em geral longe dos grandes centros, mas as redes de televisão e rádio são monopólio da burguesia no Brasil. Seguindo no texto, veremos que, de acordo com a coluna n’O Globo, somos todos grandes racistas.

“Hoje, a pergunta que cabe é outra: ‘Quando você libera o seu racismo?’. E já respondo. O racismo explode no momento em que organizações sociais, celebridades e formadores de opinião ousam apresentar uma campanha pela indicação de uma mulher negra para a vaga do Supremo Tribunal Federal em substituição à ministra e presidente da corte, Rosa Weber, que se aposenta mês que vem” (grifo nosso).

Bom, novamente, foquemos no trecho grifado: “organizações sociais, celebridades e formadores de opinião ousam apresentar uma campanha”. O que as organizações da burguesia, as celebridades (controladas pela burguesia), e os formadores de opinião (impulsionados, portanto controlados pela burguesia) ousam? Que campanha eles “ousariam” fazer, contra forte oposição, e que oposição? Se a burguesia, o imperialismo, está do lado deles, não há ousadia alguma, se comportam simplesmente segundo o papel de cães adestrados que lhes cabe por seus mestres, os detentores do poder. Portanto, de acordo com o artigo no órgão golpista, racismo seria se opor à campanha oportunista da burguesia. Sigamos, caros leitores:

“Nada mais natural que negros e mulheres, as maiorias minorizadas por um poder masculino, branco e hétero, reivindiquem democraticamente presença nos espaços de poder. Assim, crescem e se fortalecem as candidaturas diversas para cargos do Executivo e do Legislativo; multiplicam-se os programas em empresas e na produção cultural. Igualmente, ganha tração o esforço por representatividade no Judiciário, que tanta desigualdade produz ou confirma. Diversidade é riqueza, inovação, justiça.”

Novamente, vejamos o destaque: o problema, de acordo com a coluna n’O Globo, não estaria nas instituições, como o próprio STF, órgão fundamental para o golpe de Estado de 2016, a prisão de Lula, órgão este que atua ilegalmente sobre a Constituição e a sociedade, prendendo, cassando mandatos, atuando como acusador, vítima e juiz. O problema seria a falta de diversidade no tribunal.

E de que diversidade estamos falando? Seria O Globo a favor de um tribunal popular? Um tribunal em que os ministros fossem os representantes das maiores organizações do povo brasileiro, da classe operária, como a CUT? O Globo estaria a favor de uma diversidade de classe no tribunal? Logicamente que não. O que O Globo e todos os propagadores desta campanha demagógica defendem é uma demão de tinta sobre os ministros do tribunal. É disfarçar, sob uma “diversidade” tão superficial como a primeira camada de pele, sua política reacionária, antipovo, como democrática.

A colocação é ridícula e não se sustenta minimamente nem mesmo na história recente. Vejamos:

O ministro negro, Joaquim Barbosa, foi o escolhido para levar adiante os processos farsa do Mensalão, que tinham por objetivo final colocar o maior partido do Brasil, um partido de esquerda, na ilegalidade. Tais processos levaram à cadeia quadros importantes da direção do PT. Ou seja, o ministro desempenhou um papel pior que o de um mero policial militar ou um capitão do mato. Não simplesmente assassinou e torturou uma pessoa, como rotina dos outros, mas foi peça central num golpe para jogar na miséria todo o povo brasileiro, na tentativa de novamente levar ao poder o pior partido do Brasil, o PSDB, notoriamente atrelado ao imperialismo dos EUA. Para entregar o País nas mãos de uma força de dominação estrangeira. Mas e as mulheres?

A ministra Rosa Weber, no mesmo processo, durante o julgamento de José Dirceu, ao declarar seu voto, colocou a seguinte frase: “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. A frase de uma verdadeira ditadora. Vemos que o fato de ser mulher não impede ninguém de se colocar como uma carrasca, uma ferramenta da burguesia contra os trabalhadores.

A ministra Carmen Lúcia, outra mulher no tribunal, não desempenhou papel diferente. Durante o golpe de 2016, declarou que o impeachment não seria golpe caso a Constituição fosse respeitada. Ora, mas quem define se a Constituição é respeitada ou não é o próprio STF, maior encarregado no último período em trucidar a lei máxima do País. Adiante, companheiros:

“Ao fim dos trabalhos do governo de transição, em 2022, foi Lula quem declarou que ‘um governo tem que ser cobrado’. E pediu isso. Organizações sociais que reivindicam a indicação de uma jurista negra para o STF — como Coalizão Negra por Direitos, IDPN, Mulheres Negras Decidem, Instituto Marielle Franco, Instituto Peregum, Nossas — estão fazendo em declarações, textos, outdoor e vídeo exatamente o que Lula sugeriu. Dentro e fora do país, cobram publicamente do presidente”

São interessantes esses movimentos. Vemos que têm envergadura para fazer campanhas inclusive fora do Brasil, desde Nova Iorque até a Índia. É interessante, porque representaria um nível organizativo gigantesco do movimento negro brasileiro, uma verdadeira proeza de propaganda, chegando à talvez principal quadra dos EUA e do mundo, a Times Square. Não é isso que, no entanto, que veem os negros brasileiros. Não há tal nível de “mobilização” quando a polícia assassina e tortura quarenta pessoas numa favela. Não há campanha deste nível por esse “movimento negro” a favor da indústria, da geração de empregos, para beneficiar a população mais pobre, majoritariamente negra. Não há campanha nessa escala para denunciar as verdadeiras masmorras que são os presídios no Brasil, responsáveis hoje por encarcerar mais de 800 mil pessoas, a maioria negras. Não, caro leitor, o que vemos — e os “movimentos” apresentados pel’O Globo não são movimentos negros — são movimentos da burguesia, utilizados para cooptar a legítima luta do negro, e utilizá-la para seus próprios propósitos. Nas veias destas organizações o que vemos não é o sangue do povo negro, são os dólares do imperialismo.

“Mas, toda vez que pessoas negras se levantam por direitos, emerge a ira dos que não abrem mão de ocupar o topo e nem sequer se enxergam como identitários. O racismo, de nós, quer obediência. Em silêncio.”

É preciso concordar com a colunista em parte. O Globo quer obediência, e os demais representantes dessa campanha, querem obediência, em silêncio. Quando o povo brasileiro levanta a cabeça, são eles os responsáveis por golpear o trabalhador do Brasil, por presentear a si mesmos ou simplesmente destruir nossa indústria. O que vimos com a Gurgel, a Telebrás, a Eletrobrás, diversos setores da Petrobrás, como várias refinarias e a BR Distribuidora. Não acusamos tal órgão de racista pela possibilidade de sofrermos um processo, mas não precisamos dizê-lo. Basta denunciá-los pelo que mais concretamente são: burgueses.

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