Rui Costa Pimenta:

“Protestos na Geórgia são uma ‘revolução das Ongs’”

Na última edição do programa Análise Internacional, Rui e Comandante Robinson Farinazzo comentam os acontecimentos da última semana, com destaque especial à situação da Geórgia

O programa “Análise Internacional” foi ao ar nesta última segunda-feira (13), em novo horário, às 17 horas. O programa contou com apresentação de Eduardo Vasco, Henrique Simonard e comentários de Rui Costa Pìmenta e Comandante Robinson Farinazzo. É a maior mesa redonda promovida pela esquerda brasileira para discutir temas de política internacional.

O tema central foi a questão dos protestos na Geórgia. Os protestos se deram após o governo georgiano ter baixado uma lei exigindo que as Organizações Não-Governamentais fossem transparentes e declarar de onde recebem seu financiamento. A medida colocaria as ONGs que recebem financiamento de fora do país claramente como agentes estrangeiros. Protestos foram realizados contra a lei e o governo teve de recuar.

O Comandante Robinson comentou que esses protestos aparentam ser uma repetição do Maidan, a revolução colorida organizada pelo imperialismo na Ucrânia. E que há vários elementos que indicam isso, desde o modus operandi até as bandeiras dos EUA e da União Europeia presentes, mais do que da própria Geórgia. Além disso, há todo o discurso anti-corrupção e pedido de mais liberdade e defesa dos ideais dos países imperialistas (ou ocidentais). 

Rui Costa Pimenta comentou que o acontecimento na Geórgia tem uma grande importância para os brasileiros. Afinal, o que ocorre lá é uma espécie de “revolução das ONGs”, sendo a maioria delas financiadas pelos EUA. No caso da Geórgia, as ONGs praticamente compraram uma parte da classe média do país, onde há mais de 1.200 ONGs em funcionamento, e elas aumentaram seu investimento de 120 milhões para quase 1 bilhão de dólares.

Em um país pequeno e pobre como a Geórgia, isso significa que as ONGs praticamente criaram um mercado de trabalho para a classe média, que está agora sob controle do imperialismo. Com a onda de protestos que ocorreu nos últimos dias, as ONGs quase tomaram o poder de Estado via golpe, similar ao que havia ocorreu na Ucrânia, em 2014.

Rui conclui que é preciso ficar atento ao caso georgiano porque o Brasil sofre o mesmo processo de infiltração de ONGs financiadas pelo imperialismo. No governo Lula, há diversos ministros ligados a essas organizações. Os dois casos mais extremos são Silvio Almeida e Anielle Franco, ambos funcionários de ONGs estrangeiras. É preciso, portanto, aumentar o tom das denúncias feitas contra as ONGs ligadas aos EUA.

Ainda sobre a Geórgia, Robinson Farinazzo comentou que não considera que a evolução das coisas na Geórgia possa ser uma ameaça à Rússia. Ele afirmou que houve muitas tentativas de revoluções coloridas nos últimos anos e que elas estão perdendo a sua eficácia e caminhando para a obsolescência. Farinazzo também afirma que as dezenas de milhares de sanções impostas à Rússia pelo imperialismo não estão dando resultado tampouco. 

Outro tema abordado pelos comentaristas foi o acordo entre Irã e Arábia Saudita, cujas relações haviam sido cortadas desde 2016, quando manifestantes iranianos atacaram missões diplomáticas sauditas após a execução, em Riade, do clérigo iraniano Nimr al Nimr. As relações entre os dois países serão retomadas graças às negociações feitas pela China. 

O Comandante Robinson afirmou que esse fato representa uma grande mudança na situação política do Oriente Médio. A Arábia Saudita sempre teve uma relação muito próxima com os EUA e sua aproximação do Irã, patrocinada pela China, é um passo na direção contrária. Segundo ele, agora é preciso observar as consequências desta mudança. Tanto no preço do petróleo, quanto no desenvolvimento da situação do Iêmen – onde a Arábia Saudita e Irã apoiam lados opostos da guerra civil –, quanto na situação dos preços do petróleo, já que é a junção de dois dos maiores produtores de petróleo do mundo. Além disso, o Comandante ressaltou que isso também poderia influenciar Israel a se aproximar mais da China.

Sobre esse tema, o presidente nacional do PCO destacou que a questão-chave é que estamos entrando em uma nova fase da política internacional. Trata-se de uma etapa de profunda desestabilização do poderio militar e político norte-americano no mundo. É uma etapa da decadência do imperialismo que já foi vista anteriormente entre os países europeus. Nesse momento, há diversos países ao redor do mundo desestabilizados, como Rússia, China, Irã, Arábia Saudita, Paquistão, Turquia, África do Sul e muitos outros. Nesse momento, é preciso questionar se os EUA teriam capacidade militar de se enfrentar com todos esses países atrasados, caso apareça a necessidade. 

Rui também destacou que a situação na América Latina é muito instável, complicando muito a vida do imperialismo norte-americano. E o caso do Brasil é o pior de todos, por ser o maior país da região, com grande população e o mais desenvolvido, sendo, assim, um país impossível de ser dominado. 

Muitos outros assuntos foram comentados na última Análise Internacional, programa que vai ar toda segunda-feira, às 17h, no canal do Diário Causa Operária e no canal Arte da Guerra, ambos no YouTube. Para ver a discussão na íntegra, basta acessar o vídeo abaixo:

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