Pela paz contra a OTAN

Por que Lula não defendeu a Ucrânia?

Na atual conjuntura o imperialismo quer transformar a guerra da Ucrânia em uma guerra aberta contra a Rússia, a proposta pela paz portanto se choca com o imperialismo

O presidente Lula apresentou uma política independente em relação à guerra da Ucrânia. Ele não está ao lado da OTAN, mas também não se coloca a favor da Rússia. Ele está tentando realizar uma manobra em que o Brasil será o articular da paz. Para a OTAN isso é um grande entrave, pois a sua política agora é de ampliar a guerra, de transformá-la em uma guerra ofensiva contra a Rússia. Portanto, a proposta do Brasil pode ter um caráter de auxílio aos russos; por isso o governo Putin já sinalizou que compreende a política de Lula. Contudo, muitos setores da esquerda não entendem essa política de Lula, ou fingem não compreender para ou atacá-lo como lacaio da OTAN, ou se escondem atrás de um Lula falso para não se posicionarem contra o imperialismo. É o caso de Eduardo Guimarães, que escreveu no Brasil 247 a coluna: “Por que Lula defendeu a Ucrânia”.

O artigo começa citando a fala de Lula em sua entrevista no programa de Reinaldo Azevedo: “(…) Agora, uma coisa todo mundo sabe: é que eu — EU! — defendo a soberania ucraniana. O russo não tinha o direito de ter, sabe… O russo não tinha o direito de ter invadido a Ucrânia. Isso a gente não aceita porque a integridade territorial é uma questão sagrada (…)”. O destaque em si é interessante, pois Lula comenta por muitos minutos a sua posição de paz, sobre como quer costurar um acordo por meio da China, como irá usar a via diplomática com a Rússia, a Ucrânia, a Europa e os EUA, para tentar criar uma trégua na guerra. Essa é a única citação de Lula no artigo, o que, em conjunto do título, faz parecer que Lula defende a Ucrânia e não a paz entre os dois países. Nessa tese, Lula estaria ao lado da OTAN na guerra, algo absurdo.

De acordo com Guimarães, Lula estaria ao lado da Ucrânia por defender a soberania: “A posição de Lula sobre o conflito russo-ucraniano é idêntica à posição do mesmo Lula de deixar navios de guerra iranianos aportarem no Brasil, desagradando os Estados Unidos. Tudo se resume a uma palavra de cinco sílabas: so-be-ra-ni-a. Não há entendimento ideológico possível sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. É uma questão civilizatória. A Rússia não está respondendo a uma agressão armada da Ucrânia; está promovendo o que EUA e Israel chamam de “guerra preventiva” — que nós, da esquerda, tanto criticamos.” De fato Lula usa do argumento da soberania como forma de se apresentar ao lado da lei e com um ar de neutralidade, isso é parte da sua estratégia para se tornar o mediador da guerra. O problema aqui é o resto da análise do colunista.

A Rússia pode não estar respondendo a uma agressão armada, mas responde à agressão à população russa dentro da Ucrânia. Também reage à expansão da OTAN, que armou milícias nazistas na Ucrânia, e criou diversos laboratórios de armas biológicas. A expansão da OTAN para a Ucrânia é uma clara ameaça à soberania russa, a invasão nazista pela Ucrânia quase destruiu a União Soviética na Segunda Guerra. Guimarães critica a “guerra preventiva” usando Israel e EUA como exemplo, mas a realidade é que esses dois países nunca praticaram guerras preventivas. Israel está em guerra constante com os árabes, principalmente os palestinos, os sírios e os libaneses. A guerra já está acontecendo, quando se inicia uma operação militar nova ela faz parte dessa guerra, não é preventiva. A guerra de 1967 não também foi preventiva, sim uma agressão do imperialismo aos países árabes. É o mesmo caso dos EUA, são os campeões do cinismo no que tange justificar suas monstruosidades pelo mundo. Eles sempre estão se defendendo ao bombardearem todo o planeta.

Guimarães assume uma posição muito direitista: “Ou seja: a Rússia está atacando a Ucrânia devido ao suposto risco de o país atacado estar conspirando com os EUA e com a Otan contra si. “Ah, Eduardo, mas a Ucrânia está conspirando mesmo”. E se estiver mesmo, isso autoriza a Rússia a jogar bombas sobre o povo ucraniano? Quantas crianças já morreram na Ucrânia sob as bombas russas? Muito se fala sobre relações do regime ucraniano com neonazistas, sobre vários problemas morais e comportamentais do presidente Volodymyr Olexandrovytch Zelensky, que até podem ser verdades… Não sei se são verdades, mas, nesta questão, não importam.” Primeiro é preciso deixar claro que os russos estão travando uma guerra da forma menos violenta possível, muito diferente dos EUA, pois eles entendem que ao fim da guerra os países vizinhos têm que reconstruir as relações. Essa campanha de bombardeio de crianças é a propaganda do imperialismo, quem bombardeia civis é o governo Zelensky no Donbas. Faz isso desde que foi eleito, pois essa guerra já dura 8 anos.

Além disso, ele finge não ter certeza que existem milícias nazistas na Ucrânia, algo que é tão conhecido que já até foi divulgado nos próprios jornais do imperialismo. As milícias nazistas financiadas pela OTAN não podem ser ignoradas pela Rússia. Na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos morreram com a invasão nazista. É um insulto aos russos alegar que eles devem aceitar nazistas sendo armados em suas fronteiras mais uma vez. Isso sem contar que o governo Zelensky é fruto de um golpe de Estado anti Rússia organizado pelos EUA em 2014. Aqui é preciso descordar do presidente Lula, pois quem violou a soberania da Ucrânia não foram os russos, mas sim os EUA quando derrubaram o governo eleito. E não só isso, a Ucrânia de Zelensky não respeitou a autodeterminação dos povos do Donbass e agora de Kherson e Zaporíjia.

Guimarães conclui afirmando: “Ora, estou com Lula. Não podemos aceitar que um país promova uma agressão armada contra outro, mate a sua população e destrua a estrutura do país, prejudicando a mesma população, só porque vê risco de, no futuro, esse país atacado atacar quem agora o ataca. Aderir à ofensiva russa significa apoiar “guerra preventiva” e agredir o mesmo Ocidente que apoiou a democracia no Brasil recentemente, aderindo ao mesmo Putin que vive trocando beijinhos com Bolsonaro e Trump — esses, sim, neonazistas de verdade.” Ele até pode apoiar o presidente, mas sua política está longe daquela de Lula.

Eduardo Guimarães deixa a bola escapar no fim do texto. Lula não defende a Ucrânia, ele tem uma posição de neutralidade, em defesa da paz. Guimarães defende o “Ocidente” que em sua mente apoiou a eleição do presidente Lula. Ele esquece que esse mesmo “ocidente”, isto é, o imperialismo, derrubou Dilma, prendeu Lula e elegeu Bolsonaro. O posicionamento de que Lula apoia a Ucrânia se torna, no fim, um apoio a OTAN, é uma pressão direitista para que Lula assuma posições pró imperialistas. Quem defende a OTAN é Guimarães, o presidente Lula defende a paz e por isso sofreu embargo do governo Alemão, declarações agressivas da secretaria de Biden, Victoria Nuland, e está sob uma enorme pressão do imperialismo para que apoie a OTAN na guerra. Algo que parece que Lula não esta nem um pouco disposto a fazer.

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